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Diário de Pernambuco online

Morte suspende pesquisas

Publicado em 16 agosto 2005

O assassinato do arqueólogo americano James Petersen provocou a interrupção dos trabalhos da equipe de cientistas do Projeto Amazônia Central. Segundo a arqueóloga Patrícia Donatti, que faz parte do grupo, formado por 30 arqueólogos e geólogos, o trabalho só será retomado em setembro em respeito ao colega, morto no sábado.
"Entendemos que continuar o trabalho é nossa maior homenagem a ele, mas precisamos de um tempo para assimilar esse absurdo", afirmou. Dois colegas americanos, presentes no momento da morte do arqueólogo, irão para os Estados Unidos, mas devem retornar ao Brasil no próximo mês.
Dois homens acusados de terem planejado o assalto, que resultou na morte do arqueólogo, no sábado à noite, foram presos e soltos pela Polícia Militar, em Iranduba (20 km de Manaus), seis horas após o crime.
O ex-PM Ronaldo de Oliveira dos Santos e o filho dele, Rodolfo Romerito dos Santos, 19, foram presos em um sítio que fica em um ramal da rodovia AM-070. Foram liberados porque testemunhas nãoos reconheceram como participantes do assalto, segundo a Polícia Militar.
James Brant Petersen, 51, foi assassinado com um tiro no peito quando ele e colegas se preparavam para pagar a conta em um restaurante. Segundo a polícia, Wilison de Oliveira e Janderson Ramos de Oliveira, armados com revólveres, invadiram o restaurante, renderam a gerente e anunciaram o assalto. Um adolescente de 16 anos dava cobertura para o crime.
Jim, como era chamado por amigos, colegas e alunos, era coordenador do projeto, ao lado do brasileiro Eduardo Góes Neves, da Universidade de São Paulo (USP), desenvolvido há dez anos na confluência dos Rios Negro e Solimões, no Amazonas, com o patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Especialista em civilizações pré-colombianas e professor na Universidade de Vermont (EUA), Petersen era parte de um seleto grupo de pesquisadores que repensa hoje a ocupação humana da região. Ele era um dos mais experientes e mais preparados do time, o que torna sua substituição improvável em curto prazo.
Sua morte prejudica o trabalho de arqueologia amazônica atual. "Ele vinha ocupando uma posição de destaque, com bom conhecimento da história amazônica. Também tinha uma grande capacidade de organização e de sistematização", explica a arqueóloga Maria Dulce Gaspar, do Museu Nacional, no Rio, que o conhecia. "É uma perda enorme.'