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Morte do astrofísico Joo Steiner

Publicado em 11 setembro 2020

Aos 70 anos, Morreu hoje (9/10) Joo Steiner, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e um dos principais líderes da astrofísica nacional. Ele sofreu um ataque ao centro enquanto caminhava com seu filho mais velho, Renato, na propriedade do círculo familiar em sua cidade natal, Santa Catarina. Steiner esteve na região em isolamento social por cinco meses devido à pandemia Covid-19. Foi cremado hoje às 14h no município vizinho de Capivari de Baixo.

Steiner, nascido em um círculo de parentes de agricultores alemães, não foi informado do português até os dez anos de idade. Até essa idade, ele só falava alemão, uma língua então usada em São Martinho. “Meus bisavós vieram do Vale do Reno, na Alemanha, e eu fui para o Vale do Capivari, em Santa Catarina. O círculo familiar do meu pai veio de Koblenz, onde a Moselle entra no Reno. Minha mãe é do círculo familiar da Boeing e ela é de Bocholt. Ela descende de dois irmãos que fugiram do serviço militar alemão. William foi para Seattle e fundou uma empresa que então fabricava aeronaves, a Boeing. Werner foi para Santa Catarina. O aspecto ruim dessa história é que eu nasci no aspecto pobre do círculo familiar”, lembra. , de bom humor, em entrevista à Pesquisa FAPESP em 2013.

Steiner se formou em física pela USP, fez mestrado e doutorado em astronomia pela IAG, onde era professor desde 1977. Especialista em astronomia de raios-X e núcleos de galáxias ativas, ele é um especialista maravilhoso em buracos negros. Nos anos 2000, por exemplo, uma abordagem estatística seguida em outras caixas científicas (análise de componentes principais) foi aprimorada para analisar a imensa quantidade de conhecimento através de espectroscopia abrangente da caixa, uma estratégia de observação astronômica. “Dessa forma, ele descobriu os buracos negros em lugares onde ninguém havia descoberto nada”, diz o astrofísico Augusto Damineli, da IAG, amigo e colega de Steiner há 50 anos (eles se formaram juntos). “Ele ocupou vários cargos gerenciais, mas nunca parou de investigar. “Entre outras funções, foi diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) entre 1997 e 1999, secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) entre 1997 e 2002 e diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP de 2003 a 2007. Também coordenou a implantação do sistema de parques de geração de São Paulo.

Steiner era gerente clínico qualificado e lutou pela infraestrutura de estudos astronômicos no Brasil. Após uma era de pós-doutorado nos Estados Unidos [entre 1979 e 1982], onde também passou um tempo com funcionários do Centro de Astrofísica – Harvard

Steiner foi o grande defensor e articulador da participação do Estado de São Paulo, graças ao investimento da Fundação, no projeto GMT, um super telescópio de 24,5 metros sob estrutura no Chile, que deve marcar o início de um nova era. do Universo (veja Pesquisa pela FAPESP). Foi representante da FAPESP no comitê de controle da GMT. “João Steiner foi um cientista brilhante e deu uma contribuição ordinária para o desenho da fórmula de estudo no Brasil, seja no Inpe, na USP e principalmente em nível nacional, como Secretário de Estudos institui o MCTIC, onde fundou diversos ajudou a moldar as missões de nossos institutos. Na FAPESP isso também tem sido decisivo, coordenando alguns dos maiores projetos da Fundação ”, disse à Agência FAPESP Carlos Américo Pacheco, diretor do Conselho Técnico e Administrativo da Fundação (CTA). “O Professor Steiner foi um ícone da ciência nacional, com contribuições em diversos campos de atividade. Esse é, aliás, o legado de sua pintura apaixonada em favor da ciência ”, avaliou Luiz Eugênio Mello, diretor clínico da FAPESP.

Educação e divulgação clínica, especialmente astronomia, também são outras atividades em que participa ativamente. Seus cursos de vídeo, “Astronomia: Avanço I e II”, voltados para um público não especializado, totalizando cerca de um milhão de visualizações. foram as categorias filmadas que Steiner ensinou aos colegas do primeiro ano com bacharelado em astrofísica pela IAG. Ele também publicou uma coluna semanal na rádio USP, intitulada “Hear Stars”. Esses projetos levaram a vocações para a carreira da astrofísica. “Quando eu estava na escola e procurando estudar astronomia, o que me mostrou esse interesse foi o professor, em vídeos no Youtube que disponibilizam um curso de astronomia para qualquer interessado e na internet. Então, na faculdade, conheci Steiner, pessoalmente na aula. Seu fascínio pelo Universo era tão contagioso que, no primeiro assunto que fiz na IAG, já pedi para ele fazer uma iniciação clínica com ele”, conta a estudante de mestrado Catarina Aydar, que foi guiada pelo astrofísico, no site da IAG.