Notícia

JC e-mail

Morreu nesta quinta-feira José Reis

Publicado em 17 maio 2002

O cientista faleceu, às 11h, em SP. José Reis nasceu em 1907, no Rio, e já aos 17 anos receberia seu primeiro - de muitos - prêmio, 'Pantheon', por ser um dos melhores alunos do Colégio Pedro II. Em 25, ele entrava para a Faculdade Nacional de Medicina, na cadeira de microbiologia. Cinco anos depois José Reis terminava o curso já empregado como bacteriologista do Instituto Biológico. Em 36, depois de um estágio no Instituto Rockfeller, nos EUA, José Reis lança seu primeiro livro, 'Tratado de Ornipatologia', em colaboração com Paulo Nóbrega e Annita Swenson Reis. Em 41, ele participa da reorganização da Secretaria de Agricultura e desse trabalho surge seu segundo livro, 'Rasgando Horizontes', desta vez em parceria com C.B.Schmidt. Em 43 aceita o convite, feito pelo interventor Fernando Costa, de dirigir o Depto. de Serviço Público do Estado de SP. Em 47 inicia sua saga como divulgador da ciência - trabalho que nunca mais deixaria de fazer -escrevendo nos jornais 'Folha da Noite' e 'Folha de SP'. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência nasce em 1948 e, claro, tinha José Reis como um dos propulsores. Além dele outros cientistas de peso como Jorge Americano, Maurício Rocha e Silva, Paulo Sawaya, Gastão Rosenfeld, José Ribeiro do Vale e F.J. Maffei. No ano seguinte funda e torna-se editor da revista 'Ciência e Cultura'. Em 1955, inicia participação na Revista 'Anhembi', com a coluna 'Ciência de 30 dias'. Em 58 aposenta-se no Instituto Biológico, recebendo o título de Servidor Emérito. No mesmo ano funda, com José Nabantino Ramos e Clóvis Queiroga, a Editora Instituição Brasileira de Difusão Cultural (Ibrasa), onde lança, segundo ele, os 'livros-fermento, que tragam idéias novas e provoquem debate*. Em 1962, assume a direção de redação 'Folha de SP', onde fica até 67. Outra láurea ganha por José Reis foi, em 62, o Prêmio Governador do Estado de SP de Jornalismo A educação também era uma de suas preocupações e, em 1963, em reunião da ONU em Genebra - sobre C&T - apresenta relatório sobre a posição da Ciência no ensino. Em 64 mais um prêmio: John R. Reitemeyer de jornalismo científico, conferido pela Ia vez pela Sociedade Interamericana de Imprensa e pela União Panamericana de Imprensa. Quatro anos depois publica, pela editora Ibrasa, o livro 'Educação é Investimento1, com prefácio de Alceu Amoroso Lima. Em 1972, o cientista e jornalista volta a dirigir a Revista 'Ciência e Cultura1, da SBPC. Ele ainda receberia o prémio Kalinga, da Unesco, e seu nome seria instituído, pelo CNPq, como prêmio concedido aos divulgadores de ciência, o já tradicional Prêmio José Reis de Divulgação Científica. Também foi homenageado em 92 pela Universidade de SP dando nome, na Escola de Comunicações e Artes, ao Núcleo José Reis de Divulgação Científica. O presidente da Associação Brasileira de Divulgação Científica e coordenador de divulgação do Núcleo José Reis de Divulgação Científica, Crodowaldo Pavan, lamenta o falecimento do amigo e lutador: 'A sociedade brasileira sofre uma grande perda. Perdemos a presença de um dos mais notáveis representantes da intelectualidade brasileira, um cidadão exemplar que acreditava na juventude e que com sucesso forneceu a ela as bases culturais para ter uma vida intelectual positiva. José Reis é para nós um imortal, pois nos deixa hoje, como pessoa viva, mas nos deixa também sua contribuição intelectual, que sem dúvida é perene e vai continuar a influenciar de forma positiva e ativa a formação da cultura brasileira. Ele está conosco, vamos continuar usufruindo de seus ensinamentos e idéias, pois isto nos dá a esperança para vivermos em um mundo melhor.' O enterro de José Reis será nesta sexta-feira, dia 17, às 10h, no Cemitério SP, em Pinheiros, na capital paulista. Crodowaldo Pavan estará representando o presidente do CNPq, Esper Cavalheiro. JC e-mail 2035