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Morre Paulo Cidade, especialista em economia e política agrícola da USP

Publicado em 15 dezembro 2016

Por Redação

Paulo Fernando Cidade de Araújo faleceu nesta terça-feira, 13 de dezembro, aos 84 anos. Foi enterrado ontem (14), no Cemitério da Vila Rezende, em Piracicaba. Pesquisador de destaque nas áreas de Agronomia e Economia da Agricultura, Cidade era professor sênior da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.

 

Nascido em 7 de março de 1932, graduou-se em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1956) e em Ciências Econômicas pela Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro (1963). Seu mestrado e doutorado foram na área de Economia Agrícola, o primeiro na Ohio State University, nos Estados Unidos, e o segundo, na USP.

 

Cidade publicou mais de 40 artigos e livros sobre temas relacionados ao desenvolvimento econômico e política monetária, sempre atento aos problemas econômicos e sociais do meio rural brasileiro.

 

“Paulo Cidade foi um dos criadores do curso de Economia da Esalq. O Centro Acadêmico do curso leva o seu nome. Foi um grande orientador, além de ter a qualidade de agregar competências”, disse Joaquim José de Camargo Engler, diretor administrativo da Fapesp, que foi diretor da Esalq.

 

“O professor Paulo deu enorme contribuição à Esalq, à USP e à pesquisa em São Paulo. Seu conhecimento e liderança em temas sobre impacto da pesquisa no desenvolvimento da agricultura muitas vezes nos auxiliaram na Fapesp”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

 

Com o apoio da Fapesp, Cidade coordenou dois grandes projetos de pesquisa – o primeiro concluído em 2002 e o segundo, em maio de 2016 – por meio dos quais a Fundação buscou avaliar a sua contribuição para o fortalecimento da infraestrutura científica e tecnológica da agricultura paulista e delinear estratégias institucionais para o futuro.

 

Na primeira pesquisa, que resultou na publicação “O Crescimento da Agricultura Paulista e as Instituições de Ensino, Pesquisa e Extensão numa Perspectiva de Longo Prazo”, editada pela Fapesp em 2003, além de uma análise apurada da evolução da agricultura desde os anos 1960, a equipe liderada por Cidade apresentou uma série de sugestões nas áreas de Educação, Extensão, Desenvolvimento Rural e Pesquisa.

 

O segundo trabalho, realizado entre 2012 e maio de 2016, foi um estudo sobre a evolução do setor agropecuário no Estado de São Paulo entre 1970 e 2014, no âmbito do projeto “Contribuição da FAPESP ao Desenvolvimento da Agricultura do Estado de São Paulo”, apoiado pela Fundação.

 

Nesse esforço, Cidade teve a colaboração de pesquisadores da USP, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, das universidades Federal de Santa Catarina (UFSC), Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e de Brasília (UnB), além das empresas de consultoria MB Associados e MB Agro.

 

De acordo com Cidade, cada R$ 1 investido com recursos públicos em pesquisa, educação superior e transferência de conhecimento (extensão rural) na agropecuária paulista resulta em um retorno de R$ 10 a R$ 12 para a economia do estado – traduzido no aumento do faturamento do setor –, ou em uma contribuição de R$ 5 para o Produto Interno Bruto (PIB) agrícola de São Paulo. E sugeriu: “Os investimentos públicos em pesquisa, educação e extensão na agricultura têm que estar incluídos nas prioridades do Estado de São Paulo em razão de seu alto retorno para a economia e contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) paulista”.

 

“Os dois projetos foram importantes para subsidiar as estratégias da Fundação no apoio a pesquisas voltadas para o setor”, completou Engler.

 

Sobre esta última pesquisa, a Agência Fapesp publicou três reportagens: Investimentos em capital humano e em pesquisa aumentam a produtividade da agricultura; Agronegócio paulista apresenta padrão de crescimento balanceado; e Produção da agricultura paulista aumenta em mais de 90% nas últimas duas décadas, além da matéria principal desta edição da Agência Fapesp, com o título Concentração de poder de mercado pode prejudicar o agronegócio paulista.

 

Da Agência Fapesp