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Informe MS

Morre o professor da Esalq Eurípedes Malavolta aos 81 anos

Publicado em 22 janeiro 2008

Morreu no último sábado (19/1), em Piracicaba (SP), aos 81 anos, o professor Eurípedes Malavolta, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), por falência múltipla dos órgãos após dois dias de internação.

Diretor da Esalq entre 1964 e 1970, Malavolta era especialista em nutrição mineral de plantas e foi responsável pela implantação dos primeiros cursos de pós-graduação da escola. Nos últimos anos, atuou como pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) — que ajudou a fundar —, orientou pesquisas em todos os níveis e lecionou na pós-graduação.

Segundo o diretor da Esalq, Antonio Roque Dechen, Malavolta era um "ícone da agricultura brasileira" e se destacou nos campos acadêmico, cientifico e cultural tanto no Brasil como no exterior.

"Além de uma contribuição de importância incalculável para a agricultura brasileira, ele deixa um exemplo de perseverança e dedicação ao trabalho. Lecionando na Esalq desde 1953, trabalhou intensamente até a última terça-feira", disse Dechen à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

De acordo com Dechen, Malavolta foi o responsável pela introdução da disciplina de nutrição de plantas na Esalq, que foi pioneira na área no Brasil. Graças aos estudos nessa área foram desenvolvidos os cultivos hidropônicos, que permitem o plantio sem o uso de solo, eliminando a presença de bactérias. "Essa técnica, hoje amplamente utilizada, é contribuição decisiva das pesquisas nessa área", afirmou.

Malavolta concluiu a graduação em engenharia agronômica na Esalq em 1948, no ano seguinte fez parte do corpo docente da Escola e em 1951 concluiu a livre-docência. Em 1958 obteve a cátedra de química orgânica e química biológica. Foi pesquisador associado na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, com bolsa da Fundação Rockefeller (1952 e 1953). Na Fundação Kearney de Ciência do Solo trabalhou como professor visitante em 1959 e 1960.

Ele foi o primeiro diretor do Instituto de Física e Química de São Carlos (USP), de 1972 a 1975, e o primeiro pró-reitor da USP, em 1970. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências em 1964 e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo em 1972. Em 1998, foi condecorado como Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, pela Presidência da República.

Era membro honorário da Sociedade Colombiana de Ciências do Solo desde 1993, da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo a partir de 1995 e da Sociedade Internacional de Ciência do Solo e da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento desde 1997.

Foi representante do Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Ciência e Tecnologia em Benefício das Áreas menos Desenvolvidas, em Genebra em 1963. Foi conselheiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Conselho Estadual de Educação de São Paulo de 1972 a 1975. Foi editor permanente da revista norte-americana Communications in Soil Science and Plant Analysis.

Aposentou-se da Esalq em 1984 e desde então trabalhava como pesquisador permissionário no Cena. Teve 45 livros publicados (em português, espanhol, inglês, hindi e chinês) e reuniu 823 trabalhos de pesquisas, publicados no Brasil e no exterior. Orientou 40 dissertações de mestrado e 64 de doutorado em agronomia.

Recebeu 11 prêmios e homenagens. Em 2004 foi agraciado com o título de Cidadão Piracicabano, pela Câmara Legislativa local. No mesmo ano, foi condecorado pela USP, durante as festividades de 70 anos da universidade, como uma das maiores celebridades.

Em 2007, foi homenageado com a Medalha Antonio Carlos Moniz pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e com o título de Engenheiro Agrônomo Emérito, pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo.