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Correio Popular

Morre o jornalista Eustáquio Gomes

Publicado em 01 fevereiro 2014

Por Bruno Bacchetti

O jornalista e escritor Eustáquio Gomes, de 61 anos, morreu ontem após sofrer um enfarte enquanto dormia. Vítima de um acidente vascular cerebral anos atrás, o profissional convivia com sequelas na fala e visão, mas sua morte pegou amigos e parentes de surpresa. O velório do jornalista foi realizado no final da tarde de ontem, no Cemitério Parque Flamboyant, e o enterro ocorre hoje, às 11h, no Cemitério das Aleias, em Campinas.

Enterro ocorre hoje, às 11h, no Cemitério das Aleias, em Campinas

Nascido no povoado de Campo Alegre (MG), em 1952, o filho de lavradores se formou em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e seguiu na carreira acadêmica, tornando-se mestre em letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Trabalhou nas áreas de comunicação das empresas Bosch do Brasil e White Martins e foi o responsável por implantar a assessoria de comunicação da Unicamp, em 1982.

O jornalista foi colaborador do Correio Popular e da revista Metrópole, do Grupo RAC, tendo publicado cerca de 800 crônicas, além de reportagens especiais e entrevistas culturais.

Eustáquio Gomes também é autor de 16 livros, entre eles A Febre Amorosa (1994), sua obra mais conhecida e que foi adaptada para o teatro em 1996 e traduzida para o russo em 2005. Cavalo Inundado (poemas, 1975), Mulher que Virou Canoa (contos, 1978), Os Jogos de Junho (novela, 1982), O Mandarim - História da Infância da Unicamp (biografia, 2006) e A Biblioteca no Porão (crônicas, 2009) são outras produções literárias do jornalista.

Para o diretor de redação do Grupo RAC, Nelson Homem de Mello, Eustáquio foi um jornalista diferenciado. ”As crônicas que ele fez por muitos anos para a revista Metrópole marcaram uma época em Campinas”, disse.

O jornalista Roberto Godoy, do jornal O Estado de S. Paulo, lamentou a morte do amigo de muitas décadas e relembrou histórias do passado. ”Uma coisa que poucas pessoas sabem é que quando saí do Correio, pela primeira vez, em 1971, para vir a São Paulo, o indiquei para minha vaga e ficamos amigos. A morte era muito presente em suas crônicas, mas nunca de forma melancólica”, afirmou.

Laço de amizade

Reitor da Unicamp entre 1990 a 1994, Carlos Vogt revelou que a paixão do jornalista e escritor pela literatura fortaleceu o laço de amizade entre eles. “Conheci o Eustáquio na Unicamp na época em que ele começou na assessoria de imprensa. Consolidamos nossa relação tanto por força de nossas atividades quanto pelos nossos interesses pela literatura e romance. Era um romancista de primeira linha”, destacou Vogt.

Para o atual reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, a relação entre eles ultrapassou os muros da universidade e se transformou numa grande amizade. “Nossa relação pessoal transcendia às questões institucionais e se baseava numa profunda e sincera amizade”, afirmou.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e reitor da Unicamp de 2002 a 2005, recordou a relação próxima com o jornalista e lamentou a perda. “Eustáquio amou muito Campinas e a Unicamp. Como professor, diretor de unidade, e reitor, tive o privilégio de conviver intensamente com ele.”

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

bruno.baccheti@rac.com.br