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Morre especialista em abelhas, que teve passagem por Ribeirão Preto

Publicado em 16 setembro 2018

Por Pedro Gomes

Um dos principais especialistas em abelhas da história do Brasil, Warwick Estevam Kerr, morreu em Ribeirão Preto nesse sábado, 15, aos 96 anos. O velório foi realizado no Memorial Campos Elísios (Rua Fernão Sales, 1287, em Ribeirão Preto). A cerimônia de cremação ocorreu por volta das 9h deste domingo, 16.

A Universidade de São Paulo (USP) lamentou a morte do professor aposentado da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Do final dos anos 50, ele teve passagens por Ribeirão Preto. Também chegou a ser preso duas vezes na Ditadura Militar, pois denunciava nas aulas as atrocidades da época.

Nota de pesar

Kerr formou-se em Engenharia Agronômica pela Esalq em 1945 e doutorou-se em Genética Animal em abril de 1948, defendendo tese com o título “Estudos sobre o gênero Melipona”. Defendeu tese para o concurso de Livre-Docente da Cadeira de Genética em junho de 1950, com o título “Estudos sobre a genética de populações dos himenópteros em geral e sobre os apídeos sociais em particular” e tornou-se professor titular em 1965.

Entomologista e geneticista reconhecido internacionalmente, é considerado uma das autoridades mundiais em genética de abelhas, a ponto de ser o primeiro cientista brasileiro eleito na Academia de Ciências dos Estados Unidos.

Foi professor visitante nas Universidades de Columbia e da Califórnia entre 1951 e 1952. Organizou o Departamento de Biologia Geral da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, a partir de 1957, e o Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, a partir de 1964. Foi o primeiro diretor científico da Fapesp, cargo que ocupou no início da década de 1960.

Orientou mais de uma dezena de teses de doutoramento e ministrou diversos cursos no Brasil e no exterior. Foi contemplado, também, com várias bolsas de estudo, tanto para atividades no Brasil como em outros países. Participou de inúmeros congressos, reuniões científicas, conferências e palestras. Realizou diversas pesquisas e publicou muitos trabalhos científicos e de natureza didática, no Brasil e no exterior.

Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 1969, foi também diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, presidente da Sociedade Brasileira de Genética e reitor da Universidade Estadual do Maranhão, de 1988 a 1989.

Em 2008, foi homenageado durante as comemorações dos 75 anos da USP, como um dos pioneiros da pós-graduação da Universidade.