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Morre, aos 88 anos, repórter espanhol pioneiro do jornalismo científico

Publicado em 22 agosto 2012

O jornalista espanhol Manuel Calvo Hernando, conhecido pelo trabalho pioneiro com divulgação científica, morreu aos 88 anos na última quinta-feira (16/8), informou a agência de notícias Fapesp, última terça-feira (21/8). Hernando dedicou-se ao jornalismo científico desde a década de 1950. 

Hernando foi um dos fundadores e secretário-geral da Associação Ibero-Americana de Jornalismo Científico, em 1969, e presidente de honra da Asociación Española de Periodismo Científico, em 1971. A entidade é atualmente conhecida como Asociación Española de Comunicación Científica.

Nascido nos arredores de Madri, Hernando começou sua carreira como redator do jornalYa, chegando a redator-chefe e subdiretor. Foi o responsável pela comunicação no Instituto de Cultura Hispánica. Em 1999, aos 75 anos, doutorou-se em Jornalismo Científico. "Se queremos realmente uma sociedade democrática, é preciso que todos entendam a ciência", disse Calvo Hernando em entrevista à revista Ciência e Cultura em 2005.

Autor de mais de 30 livros e centenas de artigos sobre jornalismo científico, foi vice-presidente da Asociación de la Prensa de Madrid e professor na Universidad CEU San Pablo, em Madri. Em 2008, foi homenageado pelo Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha pelo trabalho com a divulgação da ciência.

"A morte de Manuel Calvo Hernando representa uma lacuna significativa no campo da divulgação científica, pelo papel de incentivador e animador que ele vinha exercendo", disse José Marques de Melo, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Cátedra Unesco de Comunicação na USP. Segundo ele, foi por inspiração de Hernando que se fundou, em 1977, a Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). "Seus livros sobre jornalismo científico constituem fontes indispensáveis aos jovens que se iniciam nesse ambiente", completou.

O médico e jornalista Julio Abramczyk, também importante divulgador da ciência, afirma que para ele não era suficiente usar adequadamente o idioma na divulgação científica. "Era necessário empregar também uma linguagem jornalística, isto é, clara, breve, concisa e simples", disse o colunista da Folha de S.Paulo.