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Morosidade da vacinação pode comprometer redução das mortes por covid-19

Publicado em 11 março 2021

Por Karina Toledo | Agência FAPESP

Dois estudos recentemente divulgados na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares, evidenciam como a morosidade da vacinação contra a covid-19 no Brasil pode comprometer a eficiência da campanha em termos da redução do número de mortes pela doença no atual pico epidêmico.

Em um dos artigos, cujo autor principal é o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) Eduardo Massad, estima-se que cerca de 127 mil vidas seriam poupadas até o fim de 2021 se o Brasil tivesse começado em 21 de janeiro a vacinar em massa - algo em torno de 2 milhões de doses aplicadas ao dia. A média atual tem sido de 2 mil pessoas imunizadas diariamente, ou seja, 10% do considerado ideal pelos pesquisadores com base no potencial demonstrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em campanhas anteriores.

Se os esforços de imunização tivessem ganhado corpo um mês depois, em 21 de fevereiro, o número de mortes evitadas cairia para 86,4 mil até o final do ano. À medida que o tempo passa a estimativa diminui para 54,5 mil (21 de março), 30,3 mil (21 de abril) e 16,4 mil (21 de maio).

"Ao que tudo indica, a vacinação em massa no Brasil só deve começar de fato em agosto. E isso se o Instituto Butantan e a Fiocruz cumprirem a promessa de entregar 150 milhões de doses até julho. Nem estou contando com vacinas de outros laboratórios, como Pfizer, Moderna ou Janssen, porque se chegarem ao país no primeiro semestre será a conta-gotas. Para que um cenário diferente fosse possível, essa negociação deveria ter sido feita já no ano passado", afirma Massad em entrevista à Agência FAPESP.

Por meio de modelagem matemática e com base nas tendências observadas em dezembro de 2020 (taxa de transmissão e número diário de novos casos - sem considerar a nova variante brasileira), o grupo liderado pelo professor da FM-USP calculou que, se nenhum esforço de vacinação fosse feito ao longo de 2021, o país chegaria ao fim do ano contabilizando 352,9 mil vítimas da covid-19.

"Trata-se de uma subestimativa, pois com a chegada das novas cepas do SARS-CoV-2 a curva epidêmica tornou-se muito mais acentuada. Essa projeção [de mortes até 31 de dezembro de 2021 em um cenário sem vacinação], no atual contexto, provavelmente ultrapassaria 400 mil óbitos. Ou seja, todos os números apresentados no artigo agora passam a ser o mínimo, o piso", avalia Massad.

Para o pesquisador, o Brasil já vive a terceira onda da covid-19, que teria começado após o pico de casos observado em janeiro deste ano. "A segunda onda nem chegou a cair substancialmente quando emergiu a nova variante [P.1.] e o número de casos voltou a acelerar. De quatro semanas para cá temos quebrado recorde atrás de recorde", diz.

Considerando o atual contexto, Massad calcula que devem morrer mais 100 mil brasileiros até o fim do ano por conta do atraso da vacinação. Se fosse possível antecipar o início da imunização em massa para maio, esse número seria reduzido pela metade, aproximadamente.

"Devemos ter entre 30 e 40 milhões de doses para o primeiro semestre e isso não dá para atender nem metade do grupo considerado de risco, que abrange 77 milhões de pessoas. Com 40 milhões de doses só vacinaremos 20 milhões de indivíduos nesse período, ou seja, menos de um terço do necessário", aponta o pesquisador.

Na avaliação de Massad, portanto, o impacto da vacinação no curso da epidemia será praticamente nulo no primeiro semestre de 2021. "Se os casos começarem a cair certamente será pelo curso natural da doença ou pelas medidas de isolamento social, que estão cada vez mais difíceis de serem implementadas."

Todas as estimativas descritas no estudo foram feitas considerando uma vacina com 90% de eficácia, número superior ao dos imunizantes já disponíveis no Brasil (Covidshield, da AstraZeneca/Fiocruz e CoronaVac, da Sinovac Biotech/ Instituto Butantan). No entanto, Massad afirma que todos os imunizantes já aprovados para uso emergencial ou definitivo têm se mostrado igualmente eficazes na prevenção de mortes por covid-19, que é o principal parâmetro avaliado na pesquisa.

Lavar as mãos

A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.

Não tocar o rosto

Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.

Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar

O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.

Usar álcool em gel

Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.

Evitar contato se estiver doente

Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas

Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.

 

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