Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Moléculas ganham novo papel

Publicado em 13 setembro 2005

Entender todas as etapas celulares de uma reação inflamatória — ou todas as condições que levam uma célula a morrer ou a se multiplicar até gerar um tumor — é o primeiro caminho, ainda no campo básico, para que no futuro esses problemas possam ser controlados ou até impedidos de aparecer. Nesse sentido, um trabalho publicado na edição atual da Nature Cell Biology joga o foco sobre uma parte importante do processo
"O trabalho corrige uma visão clássica na ciência de que moléculas inibidoras, denominadas I-KapaB, são responsáveis pelo seqüestro de fatores de transcrição no citoplasma celular", disse o brasileiro Ricardo Correa, um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.
Para chegar ao novo papel das moléculas inibidoras, os pesquisadores usaram a interferência de RNA como tecnologia, aliada à transferência gênica por transdução viral e, nesse caso, foram utilizados os lentivírus — subgrupo dos vírus associado a infecções com longos períodos de latência clínica.
"Conseguimos apagar todas as proteínas inibidoras e observar que a maior parte dos fatores NF-KapaB era mantido no citoplasma", explica Correa, da Universidade College London, na Inglaterra.
Se os resultados obtidos fossem apenas os descritos até agora, a importância das moléculas inibidoras I-KapaB, pelos menos no caso do controle da morte celular e da inflamação, teria que ser totalmente repensada. Mas as conclusões mostram que esses compostos continuam importantes, em outro sentido.
"Verificamos que os inibidores I-KapaB são dispensáveis na retenção citoplasmática dos fatores NF-KapaB, mas, em compensação, são vitais para prevenir a ligação desses próprios fatores ao DNA do núcleo", disse o pesquisador brasileiro.

Agência Fapesp