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Terra da Gente

Moléculas de serpentes com potencial farmacológico

Publicado em 18 dezembro 2012

Uma pesquisa no Instituto Butantan, que mapeou o conjunto de peptídeos existente no veneno de três espécies de serpentes do gênero Bothrops, entre elas a jararaca, descobriu 30 novas moléculas, algumas delas com potencial ação farmacológica.

 "O objetivo do trabalho era descrever a complexidade do peptidoma, ou conjunto de peptídeos, presente no veneno das espécies B. jararaca, B. cotiara e B. fonsecai", contou Solange Maria de Toledo Serrano, coordenadora da pesquisa. Os resultados do estudo, considerado o mais profundo já realizado sobre peptidomas de venenos de serpentes, foram divulgados em artigo publicado na edição de novembro da revista Molecular &Cellular Proteomics.

 Foram sequenciados 44 peptídeos, dos quais 30 ainda eram desconhecidos. Entre as novas moléculas, pelo menos quatro já testadas apresentaram atividade de potenciação da bradicinina e inibição da atividade da enzima conversora de angiotensina, substâncias envolvidas no controle da pressão arterial.

O primeiro peptídeo potenciador de bradicinina isolado no veneno da jararaca ainda nos anos 1960 deu origem a toda uma classe de medicamentos anti-hipertensivos à qual pertence, por exemplo, o Captopril.

As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada (CAT), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da Fapesp, durante o pós-doutorado de Alexandre Keiji Tashima, atualmente professor do Departamento de Ciências Exatas e da Terra, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Diadema.

 Gênero Bothrops está em todo Brasil

As serpentes do gênero Bothrops são responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos que ocorrem no País. A grande maioria dos casos envolve a jararaca, comum no Brasil inteiro. Já a B. cotiara está presente apenas nas regiões de mata araucária e a B. fonsecai, na Mata Atlântica.

Para Hugo Aguirre Armelin, coordenador do CAT-CEPID, a pesquisa revela as vantagens da abordagem proteômica para o estudo dos venenos. "O apoio da Fapesp está terminando este ano, mas deixou um laboratório equipado com espectrômetro de última geração que nos permite fazer análises detalhadas de estruturas tão complexas como a dos venenos de serpentes. Além disso, permitiu formar recursos humanos qualificados", disse.

O artigo Peptidomics of Three Bothrops Snake Venoms: Insights Into the Molecular Diversification of Proteomes and Peptidomes (doi: 10.1074/mcp.M112.019331) pode ser lido em www.mcponline.org/content/11/11/1245.abstract.