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Molécula modificada de merluza pode combater Alzheimer (172 notícias)

Publicado em 17 de novembro de 2023

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A parceria entre o Instituto Butantan e a Universidade São Francisco (USF) resultou em um avanço promissor no tratamento do Alzheimer, conforme um estudo publicado na revista Frontiers in Pharmacology.

A bióloga Juliana Mozer juntamente com a biomédica Bianca Cestari mostram que um peptídeo, derivado de uma proteína encontrada na merluza (Merluccius productus) e modificado em laboratório, demonstrou a capacidade de inibir a principal enzima causadora da doença, a BACE-1. O Alzheimer afeta 70% dos casos de demência globalmente, com cerca de 40 milhões de pessoas atingidas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tornando-se a sétima principal causa de morte.

Um diferencial significativo desse peptídeo é sua habilidade de atingir o cérebro em modelos animais. Em testes in vitro com neurônios afetados pelo Alzheimer, a substância bloqueou eficazmente a atividade da enzima BACE-1, resultando na redução da quantidade de beta-amiloides, proteínas tóxicas associadas à doença.

O novo peptídeo revelou alta estabilidade e capacidade de atingir seu alvo, além de demonstrar segurança e ausência de toxicidade em ensaios com animais saudáveis realizados no Butantan. Nos modelos animais, duas horas após a administração, o composto alcançou o cérebro, passou por outros órgãos sem acumular-se, concentrando-se no rim para posterior eliminação pela urina após seis horas. A ausência de inflamação ou danos nas células dos órgãos reforça a promissora natureza do peptídeo.

Os pesquisadores, após compreenderem o comportamento do peptídeo em organismos vivos e sua ação nos neurônios, planejam testá-lo como um tratamento em modelos animais com a doença de Alzheimer para avaliar sua eficácia. Embora ainda haja um longo caminho antes dos testes em pacientes e transformação em um produto, o peptídeo apresenta várias vantagens sobre substâncias similares, incluindo estabilidade, longa ação e reversibilidade como inibidor.

Atualmente, os tratamentos aprovados para Alzheimer oferecem alívio sintomático, sem proporcionar cura. Esses medicamentos frequentemente causam efeitos adversos, como náuseas, diarreia e confusão. O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa multifatorial que afeta principalmente os idosos, com mudanças cerebrais começando antes dos sintomas. Práticas saudáveis, como atividade física e alimentação equilibrada, podem reduzir o risco de desenvolver a doença, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).