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Molécula descoberta no Brasil é esperança para combater insuficiência cardíaca (202 notícias)

Publicado em 23 de novembro de 2023

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Por Jéssica Maes, especial para Gazeta do Povo

Em 1942, Carmen Miranda já cantava sobre o “tic, tic, tic-tac do meu coração”, amarrando o ritmo do samba ao compasso do órgão que faz o sangue circular pelo nosso corpo. Foi pensando nessa analogia que um grupo de pesquisa brasileiro batizou uma nova molécula que pode levar ao tratamento mais eficaz da insuficiência cardíac a de SAMbA, acrônimo em inglês para Selective Antagonist of Mitofusin 1 and Beta2-PKC Association – ou Antagonista Seletivo da Associação de Mitofusina 1 e Beta2PKC.

A descoberta vem dos laboratórios da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e foi descrita em um artigo publicado no dia 18 de janeiro, no conceituado periódico Nature Communications. O SAMbA impede que proteínas comprometam a produção de energia no interior das células cardíacas e, em testes com animais, o tratamento freou a progressão da insuficiência cardíaca.

“Eu pensei que já que é algo que foi desenvolvido no Brasil, a gente precisa deixar uma marca para valorizar o que a gente faz aqui. Tem muita coisa boa sendo produzida aqui”, conta o coordenador da pesquisa, professor Julio Cesar Batista Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, explicando como escolheu o nome.

Falhas no motor

A publicação é resultado de uma década de estudo. Ferreira começou esse trabalho ao final do seu doutorado na instituição americana e trilhou um longo caminho desde então. “A nossa ideia era tentar entender qual é o sofrimento do coração, o que acontece com ele para que ele comece a degenerar e não pare até entrar em falência”, conta o pesquisador.

Para isso, foram analisados corações que seriam descartados após transplantes e sofriam com a insuficiência cardíaca. “A gente pegou um pedacinho desse coração doente e tentou entender qual era a biologia dele em relação ao coração normal. O que a gente descobriu é que, no doente, o principal problema é o motor do coração”.

O coração é uma bomba formada por milhares de células de que contraem e relaxam, os cardiomiócitos. Como esse movimento de contração e relaxamento requer muita energia, as mitocôndrias – organelas que transformam moléculas orgânicas em adenosina trifosfato (ATP), a principal fonte de energia das células – são especialmente importantes. “A gente viu que esse compartimento da célula no coração do paciente que teve insuficiência cardíaca não funciona direito, não produz energia suficiente”, explica Ferreira.

Para ilustrar o problema, vale recorrer a uma analogia com o motor de um carro. Um motor pouco eficiente consome muita gasolina, polui muito e entrega pouca potência (ou seja, não converte o combustível em movimento com eficácia). O mesmo pode acontecer com a mitocôndria do coração: sem conseguir utilizar a energia que vem do alimento, ela consome mais para produzir menos movimento, o que faz com o que o órgão não trabalhe direito. Como essa energia não é processada da forma que deveria, a mitocôndria produz poluição – os radicais livres, que danificam o organismo.

Na prática, o que faz com que a insuficiência cardíaca progrida é a interação entre duas proteínas, a Kinase Beta 2 (Beta2PKC) e a Mitofusina 1 (Mfn1), que acontece dentro da mitocôndria. O grupo descobriu que a Beta2PKC se liga à Mfn1, prejudicando o funcionamento da organela e impedindo a produção de energia. Essa interação é uma das principais descobertas da pesquisa.

Na célula, as proteínas agem como se fossem office boys em uma empresa, conectando diferentes setores, explica o professor. Quando a Beta2PKC se movimenta para a mitocôndria e se liga à Mfn1, impede que ela faça seu trabalho e a organela para de produzir a moeda de troca da célula. “E se ela não tem moeda, a célula não trabalha. Se não trabalha, não contrai. Se não contrai, o coração não bombeia sangue suficiente. Se o coração não bombeia sangue suficiente, o corpo fica sem receber nutrientes. Sem nutrientes, o corpo entra em falência e a pessoa morre”, enumera o pesquisador.

A etapa seguinte foi descobrir como fazer que as mitocôndrias parassem de agir dessa forma e prejudicar o coração. A partir de partes de proteínas (peptídeos), os cientistas desenharam uma molécula que bloqueia essa interação física entre as duas proteínas. Assim, ela não apenas impede que a Beta2PKC atrapalhe o funcionamento da Mfn1, mas, ao mesmo tempo, faz com que a Beta2PKC volte a exercer suas funções normalmente em outras organelas celulares.

“Quando a gente sintetiza o SAMbA e o administra em uma célula isolada ou no ratinho com insuficiência cardíaca, o coração dele trabalha melhor”, aponta Ferreira, acrescentando que o tratamento freia a progressão da doença, que é degenerativa, e também melhora a função cardíaca. “Ou seja, ele não só freia a doença como reverte parte dessa degeneração. E isso os remédios disponíveis hoje não fazem”, ressalta.

Os estudos publicados até agora chegaram ao estágio pré-clínico, de experimentação em animais. O próximo passo é saber se o mesmo funciona em humanos, qual a dose adequada, se a molécula interage com outros medicamentos já existentes, se é tóxica e outros aspectos relativos à segurança do tratamento. E isso leva tempo e custa caro – até agora, a pesquisa foi desenvolvida integralmente com financiamento público.

“A gente depositou uma patente do SAMbA para protegê-lo e mostrar que a molécula foi criada por esse grupo de pesquisadores. Agora, empresas interessadas podem licenciá-lo (adquirir a permissão para usá-lo) e o que fariam em seguida, e a gente pode ajudar, é desenvolver o SAMbA, transformar esse protótipo que a gente tem em um novo fármaco”. Os recursos investidos no projeto até hoje poderiam retornar à universidade em forma de royalties.

A estimativa do coordenador da pesquisa é que, caso seja aprovado em todos os testes, o SAMbA pode chegar ao consumidor em forma de medicamento em cerca de oito anos. Isso mostra, além do quão longo é o processo, a grande lista de profissionais que precisam se envolver no processo até que um novo remédio apareça nas prateleiras. Multidisciplinar, desde 2009, 11 pesquisadores estiveram envolvidos diretamente na pesquisa e pelo menos mais dez se envolveram indiretamente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e a busca por tratamentos mais eficientes é incessante. Em 2016, estima-se que 71% das mortes no mundo (57 milhões) deveram-se a doenças crônicas. Destas, 17,9 milhões foram causadas por doenças cardiovasculares. De acordo com o “cardiômetro” – indicador que estima as mortes por doenças cardiovasculares no Brasil baseado em dados de anos anteriores – desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, até o fechamento desta reportagem já teriam ocorrido 39,5 mil mortes causadas por essas doenças em 2019.

O cardiologista Luiz Fernando Kubrusly, professor da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná e diretor fundador do Instituto do Coração do Paraná, que não esteve envolvido no estudo da USP, afirma estar animado com as possibilidades oferecidas pela nova molécula. “Eu acredito que o SAMbA possa trazer um benefício grande aos pacientes que sofrem de insuficiência cardíaca. Estamos falando de uma doença com uma presença monstruosa, de pacientes que consomem muitos recursos, que são internados de três a quatro vezes por ano, geralmente em UTIs”, pontua.

Mesmo usando os tratamentos disponíveis hoje, a expectativa de vida de uma paciente com esse diagnóstico é curta: de 5 a 8 anos após o diagnóstico. Um dos objetivos do SAMbA é aumentar essa expectativa e trazer mais bem-estar para esse período do tratamento. “Se você melhora a função desse coração e não só previne a deterioração, automaticamente essa pessoa vai ter uma qualidade de vida melhor e isso vai ter um impacto no tempo de vida”, diz Ferreira, que destaca a importância do potencial impacto na qualidade de vida como uma grande vantagem, especialmente nos estágios mais avançados da doença.