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Embrapa

Modelos diferenciados com startups fortalecem processo de inovação tecnológica

Publicado em 23 fevereiro 2018

Transformar ciência de alta qualidade em soluções tecnológicas aplicadas a diferentes áreas do conhecimento, em parceria com startups, para serem absorvidas pelos produtores rurais e outros atores. Isso tudo com modelos diversos e oportunidades de recursos para fomentar o processo de inovação, tanto no setor público quanto na iniciativa privada.

Essa equação é complexa, mas tem produzido resultados expressivos na Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP). Um deles é com a empresa Agrorobótica (Guariba – SP), que utiliza a fotônica (laser) em aplicações agroambientais e foi uma das sete agritechs selecionadas na chamada Pontes para Inovação, organizada pela Embrapa e Cedro Capital, cujo resultado foi apresentado no final de janeiro.

O Centro de Pesquisa pavimentou a trilha da inovação baseado no modelo de concessão de licenças para exploração de direitos de propriedade intelectual em dois contratos firmados em 2017 com a Agrorobótica; além disso, já estava em desenvolvimento uma solução para análise sensorial de café.

Os contratos, no escopo da Rede de Agricultura de Precisão (que envolve 23 Unidades da Embrapa e mais de 50 instituições públicas e privadas), estão ligados a técnicas que utilizam laser para mensurar a quantidade de carbono retida no solo e pode contribuir na certificação de propriedades rurais no plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (plano ABC), bem como para a aplicação mais adequada de água e insumos.

Soluções em nanotecnologia

Atenta aos novos nichos de mercado, a Embrapa Instrumentação também tem utilizado seu pioneirismo em pesquisas de nanotecnologia aplicadas ao agronegócio para estabelecer parcerias com empresas nascentes.

Um modelo está ligado à Rede de Nanotecnologia aplicada do Agronegócio (AgroNano), no âmbito do Sibratec (Sistema Brasileiro de Tecnologia), operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com a aprovação de dois projetos.

Um deles é o desenvolvimento de nanocompósitos osteointegráveis e osteoindutores para prototipagem rápida de peças para uso em veterinária, odontologia e medicina humana é o motivo da parceria com a DMC (São Carlos).

Já com a empresa Siena Idea Inovações Disruptivas Ltda. (São Carlos) o modelo do Sibratec prevê o desenvolvimento de um produto sensor para avaliação visual e por software de análise de imagens para identificar aspectos da qualidade de frutas e hortaliças.

“O apoio aos empreendedores que buscam modelos de negócios repetíveis e escaláveis, especialmente inovadores, também tem ocorrido por meio de outras fontes”, explica o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Instrumentação, José Manoel Marconcini.

Inovação em pequenas empresas

“Uma fonte importante que temos utilizado é o Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), que apoia pequenas empresas sediadas no Estado de São Paulo para o desenvolvimento de pesquisa tecnológica no ambiente empresarial - sem contrapartida”, acrescenta Marconcini.

Três empresas parceiras da Embrapa Instrumentação foram selecionadas no ano passado, uma delas, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é a Domínio Química (Pindorama – SP), parceira no projeto da Rede AgroNano para o desenvolvimento de nanocompósitos à base de enxofre para veiculação de micronutrientes em solo para oferecer opções ao produtor rural com potencial melhor balanço econômico e facilidade de aplicação.

A Hyco (São Carlos) também foi contemplada no modelo PIPE-FAPESP no projeto para incorporação de fibras longas em termoplásticos para obtenção de compósitos híbridos, utilizando fontes vegetais e industriais, que deve abrir novas oportunidades para os produtores de fibras e também para a indústria nacional na fabricação de peças estruturais para os implementos agrícolas, acessórios e bens de consumo.

Já a empresa Bio Nano (São Carlos), a terceira contemplada pelo programa da Fapesp, atua no desenvolvimento de metodologias para aumento de escala de produção de nanocristais de celulose (CNC) com redução do tempo de sua produção e no consumo de água, e reaproveitamento dos reagentes.

“O trabalho de uma década na Rede AgroNano – que envolve 150 pesquisadores de 39 universidades, 25 parceiros internacionais e 23 Centros da Embrapa - agora tem rendido diversas parcerias que, muitas vezes, envolvem ex-alunos orientados por pesquisadores da Embrapa Instrumentação e que resolvem empreender, como ocorre nos três casos citados no PIPE-FAPESP, um modelo que é estratégico numa época de restrições orçamentárias e financeiras”, analisa Marconcini.

Outro modelo de apoio às startups envolve a área de óptica e fotônica com a empresa Hidrofito (Pirassununga – SP), na qual um contrato de cooperação técnica busca a melhoria no sistema de produção da soja, por meio do monitoramento de doenças – como a Soja Louca II e a ferrugem asiática - e classificação de grãos explorando técnicas ópticas como imagens especiais e espectroscopias.

A parceria no ecossistema de inovação também está presente no modelo estabelecido com a Valornovo Ltda. (Cravinhos – SP), materializado no contrato de fornecimento da tecnologia “Liberação controlada de fertilizantes de origem nitrogenada por poliuretano à base de óleo natural”, cumulada com o uso da marca “Tecnologia Embrapa”.

“Todo o esforço em buscar modelos diferenciados com a iniciativa privada, recursos financeiros e talentos nas parcerias, ocorre com o intuito de reverter a excelência da pesquisa básica em soluções tecnológicas aplicadas às diversas cadeias produtivas em diferentes partes do Brasil, reforçando nossa missão de centro nacional temático”, enfatiza o chefe adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação, Wilson Tadeu Lopes da Silva.