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Folha Dirigida

Modalidade a distância amplia acesso à educação

Publicado em 22 setembro 2008

O avanço das tecnologias resultou em novos comportamentos e quebra de paradigmas. Na as ferramentas tecnológicas possibilitaram novos modelos de cursos e aulas. Dessa forma, através da Educação a Distância (EAD), um número maior de alunos pode agora estudar sem a necessidade de se deslocar por longas distâncias para tal. Apesar de esta modalidade de ensino ainda dar seus primeiros passos no Brasil em comparação aos países desenvolvidos, a oferta dos cursos a distância começa a apontar para sinais de crescimento. Atualmente cerca de 2,5 milhões pessoas fazem cursos de educação a distância no país, do que deste número 907 mil são estudantes de graduação.

Além disso, estão aprovados Ministério da Educação (MEC) 255 cursos em 155 instituições autorizadas para a oferta da EaD em sua grade curricular. Estes números foram citados pelo secretário de educação à distância da SEED-MEC, Carlos Eduardo Bielchowsky, durante o 14° Congresso Internacional Abed de Educação à Distância (Ciaed), que aconteceu entre os dias 14 e 17 de setembro, na cidade de Santos.

Bielchowsky revelou que o crescimento é uma prova de que o Brasil evoluiu e passa por um bom momento no que se diz respeito ao ensino a distância. “Recuperamos o tempo perdido. Uma prova disso é o número de cursos oferecidos e de pessoas que passaram a fazer uso do ensino à distância no país”, diz.

O secretário ainda revelou que MEC pretende usar esta modalidade de ensino para mudar a educação brasileira, formando uma grande rede para; a capacitação dos profissionais. Porém, Bielchowsky mostrou preocupação com a qualidade dos cursos de EaD oferecidos no país. “Podemos identificar que boa parte das ações de educação à distância, principalmente no que respeito ao ensino superior, não têm qualidade que imaginamos ser a desejada para o país”, disse. Ele ainda completou: “Estamos acompanhando com um olhar muito rigoroso todos os cursos de graduação e trabalhando intensamente no sentido de construir qualidade necessária”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED), Fredric Michael Litto, a EaD ainda não se encontra no patamar desejado no Brasil graças ao preconceito que se tem sobre esta modalidade de ensino. “Nos outros países, no histórico escolar não se coloca difere se o curso é feito à distância ou não. O curso foi aprovado pela congregação, pelo corpo docente daquela instituição, e pronto. Aqui o histórico escolar é separado se o curso é feito à distância”, lamenta.

O evento contou ainda com a participação do secretário geral do Conselho Internacional de Educação Aberta e à Distância (ICDE), o sueco Carl Holmberg. Ele apontou as vantagens do ensino à distância e destacou que a EaD possibilita maior flexibilidade para os estudantes e, muitas vezes, com melhores resultados. “Uma das perguntas que mais me fazem é se a EaD consegue oferecer a mesma qualidade dos cursos presenciais, respondo que está é uma nova forma de educação que, em muitos casos, supera o modo presencial na capacidade do aprendizado”, disse.

Universidade Virtual do Estado é lançada durante o congresso

Ainda durante o congresso foi apresentada oficialmente a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). O coordenador técnico do programa, Waldomiro Loyolla, explicou que o projeto é o resultado da união das três maiores instituições de ensino do estado – USP, Unicamp e Unesp – com apoio Fundação Padre Anchieta, da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Segundo Loyolla, o principal objetivo da Univesp é a expansão do ensino superior público em São Paulo. O coordenador contou não será criada uma nova universidade, mas sim um programa de governo para promover uma ação de cooperação inclusiva entre as Instituições acadêmicas públicas do estado, para formação superior, como uso das novas tecnologias de informação comunicação. “Temos o objetivo de uma grande ação, de um grande esforço do governo do estado no sentido de disseminar a educação superior pública”, disse. “Queremos que ela possa ser geograficamente distribuída e que boa parte de nossa população tenha acesso mais fácil a ela”, revelou o coordenador.

Loyolla afirmou ainda que cada instituição terá a incumbência de, aproveitando seu-corpo docente e seu corpo técnico, propor junto ao conselho do programa Univesp o núcleo de sua instituição. Esse núcleo deverá ser o responsável pelo acompanhamento e suporte na elaboração e na proposição dos novos cursos ou serviços. “A gestão acadêmica será de responsabilidade exclusiva das próprias instituições. Porém a gestão administrativa, orçamentária, financeira e tecnológica do programa será diretamente exercida pela Secretaria de Ensino Superior, através de um comitê diretivo composto por membros da própria secretaria e das instituições parceiras”, contou.

O coordenador se mostrou otimista quanto ao sucesso do programa e citou a Universidade Aberta do Brasil, que atualmente conta com 71 instituições de ensino, como um exemplo ser seguido. “Esperamos muito em breve termos o início do concurso de vestibular para os cursos da Univesp”, finalizou.

A Univesp terá 16 laboratórios em todo estado e pólos em 70 cidades, não apenas nos campi das universidades, mas também em algumas prefeituras. Entre os cursos propostos para graduação estão Pedagogia (Unesp), Licenciatura em Ciências, Licenciatura em Ciências Tecnológicas e Pedagogia (na USP). Também estão propostos oito cursos de especialização. São eles: Ensino em Ciências; Educação em Direitos Humanos; Ética e Saúde, Escola; Gestão Escolar; Terapia in tensiva; Ações de Saúde; Reabilitação; Pacientes Amputados e Gestão de Governo Eletrônico.