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Mistura de açúcar e soja substitui agrotóxicos

Publicado em 22 setembro 2005

Por Nairo Alméri

Na Semana do Alimento Orgânico - semana passada -, não mereceu atenção uma notícia sobre pesquisas desenvolvidas pela Unesp, de criação de um praguicida resultante da mistura de açúcar e óleo de soja, para substituir os agrotóxicos nas aplicações em lavouras. De baixo custo e impacto reduzido ao meio ambiente, o produto teria demonstrado eficiência nas aplicações de combate a ácaros e insetos.
Divulgado pela 'Agência Fapesp', os relatórios revelam que, nos primeiros testes de laboratório, a mistura foi considerada eficiente contra algumas pragas agrícolas. A base do pesticida é as reações químicas entre a sacarose da cana-de-açúcar, o óleo de soja e um catalisador. 'O catalisador é um produto químico que simplesmente acelera a mistura dos dois elementos, gerando um terceiro produto conhecido como éster de sacarose', disse Reinaldo José Fazzio Feres, um dos coordenadores da pesquisa.
Os resultados mais promissores, destacou a Agência Fapesp, foram em ensaios de laboratório no combate aos ácaros Calacarus heveae, que afeta seringueiras, e Tetranychus ogmophallus, praga do amendoim e de plantas ornamentais. A eficácia da mistura, para os dois casos, atingiu 93%. Para os testes com insetos, houve uma eliminação de 90% e 100% das populações da lagarta-do-cartucho-do-milho e da mosca-branca. Esta última, destacou a Agência Fapesp, ataca mais de 700 espécies de plantas.
Reinaldo Feres salienta que, no campo, após a aplicação do praguicida, na dosagem de 5 gramas de éster por litro de água, o índice de infestação do ácaro da leprose dos citros (Brevipalpus phoenicis) apresentou uma queda de 7,5% para 2,5%. 'O mais interessante foi que, com uma concentração de 10 gramas de éster por litro, a infestação de 7,5% foi reduzida a zero', assegurou.
O pesquisador comenta que, além de os números comprovarem a eficácia do novo praguicida, ele apresenta 'vantagem' no baixo custo de produção: com R$ 5,00 compram-se açúcar e óleo de soja em volume suficiente para a produção de 1 quilo do produto. 'Ao ser diluído em água, esse volume pode render até 200 litros', detalha.
A experiência coordenada por Feres envolveu pesquisadores do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), em São José do Rio Preto (SP), e da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), em Jaboticabal.