Notícia

Gazeta de Piracicaba online

Misteriosa energia

Publicado em 02 julho 2010

De tempos em tempos, cientistas criam máquinas e novas tecnologias para tentar responder perguntas angustiantes, como "de onde viemos?", "quem somos", "por que existem as coisas?". Nos últimos anos os avanços tecnológicos, revertidos em ferramentas caras e sofisticadas, vêm lançando mais luzes sobre o origem da vida e do Universo. Com o LHC, o grande colisor de partículas instalado na Europa, por exemplo, pesquisadores pretendem recriar a explosão que teria originado o Universo. Agora, com o auxílio de um supertelescópio, um grupo de astrofísicos e cosmólogos espanhóis e brasileiros pretende estudar e caracterizar a misteriosa energia escura que estaria levando à aceleração da expansão do Universo.

O projeto Physics of the Accelerating Universe (PAU) prevê a construção de um telescópio robótico que será usado para fazer um levantamento completo do céu. Segundo o astrofísico Renato Dupke, do Observatório Nacional e coordenador do projeto no Brasil, o telescópio permitirá uma análise celeste muito mais precisa. "Ele obtém luz em frequências específicas e consegue espectro de baixa resolução de todos os objetos", explica.

O telescópio terá 2.5 metros de diâmetro (T250) e um campo de visão de 3 graus de diâmetro. Será dotado de uma câmera construída pelo Brasil e equipada com um sistema inédito de 42 filtros de banda estreita que fornecerá espectros de baixa resolução para todos os objetos observados no levantamento. O equipamento custará 14 milhões de euros e começou a ser construído na província de Aragon, na Espanha. O sistema será instalado no pico de Buitre, Sierra de Javalambre, em Teruel, a 1.957 metros de altura, e em uma das regiões mais escuras da Europa. "A região foi escolhida porque tem uma visibilidade impressionante. Além disso, há uma estabilidade da atmosfera", diz Dupke.

A construção da câmera fotográfica, responsabilidade do Brasil, está orçada em U$ 2 milhões. Parte da verba já foi aprovada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o projeto já foi iniciado. A previsão do coordenador do projeto no Brasil é a de que a construção seja concluída em 2012.

Dupke diz que dados preliminares da pesquisa podem ser obtidos dois anos após o telescópio entrar em operação. A expectativa do grupo de pesquisadores é que em quatro anos seja possível divulgar os primeiros resultados da pesquisa.

Inicialmente, as imagens coletadas serão usadas em pesquisas sobre a suposta energia escura, que compõe 75% do Universo e ainda assim é um mistério para os astrônomos. Os outros 25% do Universo seriam compostos por matéria escura. Deste total, apenas 5% são de matéria bariônica, aquela que forma nossos corpos, o mundo palpável ao nosso redor, a Terra e todos os outros planetas e estrelas. Ela consiste de prótons e nêutrons - os chamados bárions- e de elétrons.

Matéria escura é o nome que se dá a um tipo de matéria que se aglomera em galáxias mas não emite nem interage com a luz. "A energia escura é o nome dado ao candidato para ser responsável pela expansão acelerada do Universo. Ela exerce (e sofre) repulsão gravitacional, ao contrário de tudo o que conhecemos", explica o professor do Instituto de Matemática da Unicamp, Alberto Saa.

Observatório da época do Império

Observatório Nacional foi criado por d. Pedro I em 15 de outubro de 1827. Entre suas finalidades estava a orientação e estudos geográficos do território brasileiro e de ensino da navegação. Com a Proclamação da República, em 1889, o Imperial Observatório do Rio de Janeiro passou a se denominar Observatório Nacional. É uma das instituições de pesquisa brasileiras mais antigas e teve origem no observatório criado em 1780 no Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, pelos astrônomos portugueses Sanches d"Orta e Oliveira Barbosa.