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Missão francesa

Publicado em 22 setembro 2008

Presidente do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil (Cofecub), Pierre Jaisson quer criar projetos que ajudem a formar recursos humanos para as novas universidades federais brasileiras

O Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil (Cofecub, na sigla em francês) pretende criar projetos que ajudem a formar recursos humanos para as novas universidades federais brasileiras, de acordo com o presidente do comitê, Pierre Jaisson.

Jaisson, que visitou a sede da Fapesp, em São Paulo, nesta quinta-feira (18/9), tendo sido recebido por Celso Lafer, presidente da Fundação, disse que os projetos ainda não foram formalizados, mas poderão ser a principal novidade do Cofecub para 2009, quando o comitê completará 30 anos.

“Uma forma interessante de ampliar nossa colaboração com as instituições brasileiras seria voltar a atenção para as novas universidades federais, que terão necessidade de muitos jovens professores. Para ajudá-las a decolar, poderíamos implementar projetos triangulares entre elas, as universidades francesas e as universidades brasileiras já consolidadas”, disse Jaisson à Agência Fapesp.

O comitê avalia e coordena três acordos franco-brasileiros, de acordo com Jaisson, que é professor do Laboratório de Etologia Experimental e Comparada da Universidade de Paris 13 e preside o Cofecub há dois anos e meio. O acordo mais antigo envolve o comitê e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“O acordo Capes-Cofecub, que também completará 30 anos em 2009, envolve todas as universidade do Estado de são Paulo, que representam uma grande proporção dos projetos selecionados”, disse Jaisson, que, em sua visita ao Brasil, participou de uma reunião com a coordenação do Capes-Cofecub em Campo Grande (MS).

“Esse acordo teve um efeito muito significativo, permitindo a formação de mais de 1,5 mil doutores brasileiros, além de mais algumas centenas de doutores franceses. É um acordo de formação de jovens pesquisadores por meio de projetos de pesquisa em comum”, destacou.

O acordo envolve principalmente pesquisadores brasileiros, mas também muitos franceses, segundo Jaisson. “Há grande interesse de estudantes franceses por bolsas no Brasil, especialmente em determinadas áreas como biologia, medicina, física, química, informática, matemática e ciências sociais”, disse.

Segundo Jaisson, a demanda por bolsas na área de biologia poderia ser ainda maior devido à grande biodiversidade brasileira, mas há entraves burocráticos. “Infelizmente, há dificuldades para os pesquisadores que trabalham com biodiversidade. Não se pode exportar amostras vivas do Brasil sem formalidades que levam anos, o que representa grande dificuldade para a biologia. Quando as regras do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se tornarem mais flexíveis, certamente a França enviará mais pesquisadores”, apontou.

Além do Capes-Cofecub, o comitê também mantém acordos com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Fapesp. “O USP-Cofecub, ao contrário do acordo com a Capes, não é destinado a formar doutores. Trata-se de um acordo de pesquisa entre pesquisadores seniores. Já o Fapesp-Cofecub é um acordo de mobilidade especialmente voltado para estudante franceses de pós-doutorado”, explicou.

A Universidade de Paris 13, que sedia o Cofecub, também mantém há 15 anos o programa Ecos (Avaliação-orientação da Cooperação Científica, na sigla em francês), que envolve seis países da América Latina e apóia intercâmbio de pesquisadores em períodos de curta duração para doutorandos.

“Temos versões do Ecos no Chile, no Uruguai, na Argentina, na Colômbia, na Venezuela e no México. Pensamos atualmente em articular alguns desses programas entre eles para formar um programa semelhante ao Cofecub envolvendo o Mercosul”, declarou.

Jaisson afirmou que, embora a gestão dos programas Ecos e do Cofecub não tenham relação direta, há sinergia entre eles. “Ambos estão na mesma universidade francesa, a Paris 13, que é responsável por gerenciá-los. Há uma grande integração na avaliação de projetos”, disse.

Segundo ele, o impacto do Cofecub é bastante considerável, especialmente do ponto de vista qualitativo. “Todos os projetos do Cofecub são avaliados por dois especialistas de cada lado. Com uma análise rigorosa de quatro revisores, é possível que algum bom projeto possa nos escapar, mas temos certeza de que todos os que são aprovados são excelentes. A excelência é o nosso critério fundamental”, afirmou.

O Cofecub também tem grande impacto humano, segundo Jaisson. “Temos entre 250 e 300 missões de cada lado, com especialistas brasileiros e franceses, além dos estudantes. São dois estudantes por projetos no acordo com a Capes. Temos mais de 110 projetos em curso, então há mais de 220 estudantes brasileiros que têm bolsas na França atualmente”, disse.

Mais informações: http://www.univ-paris13.fr/cofecub-ecos

(Agência Fapesp, 19/9)