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Correio Popular

MIS expõe mapas históricos da cidade

Publicado em 07 março 2006

Por Maria Teresa Costa, da Agência Anhangüera (teresa@rac.com.br)
Exposição inédita mostra a evolução de Campinas com material cartográfico da segunda metade do século 19 a 2003
 
Mapas de Campinas que mostram a cidade da segunda metade do século 19 até 2003 e que foram reunidos por pesquisadores do grupo Civitas, ligado ao curso de mestrado em Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), estão em uma exposição inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS), no Palácio dos Azulejos. Em todos eles, está a presença marcante da ferrovia e, de maneira bastante visível, a forma como Campinas, ao longo da história, sempre foi ligada aos modelos urbanísticos mais significativos.
A mostra é parte do projeto em políticas públicas financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que estuda o papel dos leitos, pátios e conjuntos edificados ligados às ferrovias na estruturação urbanística e nas políticas públicas da cidade e da Região Metropolitana de Campinas (RMC). O coordenador da pesquisa, Luiz Cláudio Bittencourt, conta que a observação dos mapas permite um passeio pelos vários modelos urbanísticos adotados por Campinas em sua história.
Está ali, diz, o modelo higienista do engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, adotado no final do século 19 e que promoveu o saneamento da cidade, com a canalização dos córregos; está também o modelo de amplas avenidas do engenheiro Prestes Maias (a Avenida Francisco Glicério é uma delas). A cidade também abrigou o modelo de cidade-jardim do urbanista Ebenezer Haward nos bairros Nova Campinas e Parque Industrial. Adotou ainda o urbanismo iluminista colonial nas ruas Luzitana, Barão de Jaguara e Dr. Quirino e o urbanismo neoclássico do Império no eixo entre a Catedral e a estação ferroviária.
A ferrovia, observa o arquiteto, foi desenhada na periferia da cidade, mas, depois, os modelos urbanísticos se expandiram e engoliram o traçado ferroviário. "Hoje, a cidade vai encostando no Aeroporto de Viracopos", compara.

No chão
Os mapas — são oito que agregam fotos do período em que foram desenhados, além de um no tamanho de 36 metros quadrados que está colocado no chão e onde os visitantes poderão andar por cima.
Bittencourt conta que os mapas foram reunidos pelos pesquisadores do grupo Civitas com a ajuda de funcionários públicos que guardavam antigos mapas na Prefeitura, particularmente na Secretaria de Planejamento. Com recursos da Fapesp, os mapas e todo o material cartográfico incluindo todo o cadastro municipal foram digitalizados, formando um imenso arquivo de 80 gigabytes. As imagens são em alta resolução e uma parte dos mapas está na 1 Exposição sobre Cartografia Digital. Depois, haverá uma exposição itinerante desse material nas escolas.
Há o mapa de Campinas de 1868 com o projeto de prolongamento da linha férrea de Campinas a Jundiaí. Está exposto também o croqui com o levantamento cartográfico de 1878 feito pelo urbanista Luiz Pucci. Também é dele a planta de Campinas e suas principais edificações em 1878 e o mapa de Campinas de 1900, organizado por Leopoldo do Amaral e editado pela Casa do Livro Azul.

Saiba mais
Exposição Cartografia Histórica de Campinas
Visitação - até 3 de junho, de terça a sexta das 10h às 17h e aos sábados das 10h às 16h
Entrada - gratuita
Local - Museu da Imagem e do Som, na Rua Regente Feijó, 859, Centro.