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Ministério do Planejamento

Ministro britânico diz que cúpula do clima ainda será importante

Publicado em 17 novembro 2009

Por Daniela Chiaretti

"Eu não acho que no meio de dezembro vai ter qualquer coisa que seja mais importante do que Copenhague." A frase, dita um dia depois dos Estados Unidos e China terem jogado um balde de água fria nas expectativas da Conferência do Clima adiando um acordo ambicioso contra o aquecimento global, é do ministro do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, Hilary Benn. "Se esperarmos nada de Copenhague, então nada irá acontecer", continuou. "É difícil, claro, mas se não tentarmos, não teremos nada." E continuou: "A coisa mais importante que temos que fazer agora é aumentar as expectativas, e não reduzi-las".

Benn era o chefe da delegação do Reino Unido em Báli, na CoP-13. Foi ali que, no último momento, as negociações mudaram de curso e se conseguiu fechar um cronograma de dois anos, até Copenhague. "Em Báli tudo estava muito difícil, mas nenhum país queria ser aquele a dizer "não concordo". Havia muita pressão externa, o mundo estava nos olhando e sentíamos que não podíamos voltar para casa sem nada. Agora é muito mais difícil, mas temos que ter isso em mente."

Benn - um otimista confesso, segundo ele mesmo - começou sua palestra na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ontem, em São Paulo, citando o 150º aniversário de "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, "um livro que acho revolucionário". Voltou a Darwin no final, quando terminou de falar sobre mudança climática e Copenhague. "Darwin nos ensina que não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive. É o mais adaptável a mudanças."

Ele está no Brasil para uma visita de três dias que prevê encontros com o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e os ministros Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Carlos Minc, do Meio Ambiente.

"Os países precisam levar suas propostas de cortes à mesa para Copenhague, e esta é a primeira parte do acordo", disse em entrevista ao Valor. "Foi o que o presidente Lula fez na semana passada, uma decisão que aplaudo e demonstra liderança." A segunda parte sempre foram as finanças, continuou. "E, seja o que for que os líderes do mundo estejam planejando fazer no meio de dezembro, nada será mais importante do que estar em Copenhague fechando aquele acordo."

"Lembre como era em Kyoto", continuou. "Ali havia os países do anexo 1, com cortes a fazer, e o resto do mundo, sem isso. Mas agora é muito mais complicado." Ele diz que se Canadá, Austrália, Nova Zelândia e todos os países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) parassem milagrosamente de emitir agora, mesmo assim o problema do aquecimento global não estaria resolvido. "Por isso todos os países têm que contribuir." Segundo ele, um acordo "legally binding", ou seja, com compromissos assumidos internacionalmente, é um jeito de fazer com que os países confiem um no outro.

Benn também comentou a crise econômica que surgiu no meio do caminho entre Báli e Copenhague. "Sim, algumas vozes por aí disseram: "Hum, a vida está difícil no momento"". Prosseguiu: "Mas, se os tempos são duros e o dinheiro está curto, por que não fazer prédios energeticamente mais eficientes? Isso faz ainda mais sentido em tempos de recessão econômica do que em qualquer outro". No final da recessão, quem tiver uma economia de baixo carbono estará em melhores condições do que os outros, acredita. "Este é o futuro. Ou alguém acha que lá na frente a energia será barata?"

Hilary Benn é o ministro do Reino Unido de uma pasta que, no Brasil, soa bem estranha: Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais. "Mas não se trata de uma competição entre os dois. A economia agrícola saudável anda junto com um ambiente saudável." Segundo Benn, "a produção de alimentos no futuro terá que ser sustentável. Não há outro jeito".

Do Valor Econômico