O Ministério da Saúde suspendeu a vacina da dengue do Butantan voltada a profissionais de saúde para investigar de eventos raros. A vacinação infantil com a Qdenga segue normal.
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia específica de imunização contra a dengue com a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida tem como objetivo investigar o surgimento de eventos raros inesperados e incompatíveis com os estudos clínicos iniciais do imunizante. A estratégia era voltada exclusivamente para profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS).
A suspensão foi deliberada após o registro de 42 casos com sinais de alerta — como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos — em âmbito nacional. Entre as notificações, três foram classificadas como graves, incluindo dois óbitos. No Espírito Santo, o lote recebido continha 26.180 doses, das quais 8.873 haviam sido aplicadas até o momento da interrupção, ocorrida na última segunda-feira (08), sem qualquer registro de reações adversas graves no território capixaba. As doses remanescentes foram recolhidas e permanecerão armazenadas nas redes de frio municipais aguardando novas diretrizes federais.
O Programa Estadual de Imunizações (PEI) reforça que a orientação para os profissionais que já receberam a vacina do Butantan é monitorar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Caso apresentem sintomas como febre, tontura, sangramentos ou dores abdominais, devem buscar atendimento médico imediatamente. As equipes de saúde locais também foram instruídas a intensificar a vigilância e a notificação de casos suspeitos.
Vacinação de crianças e adolescentes com a Qdenga segue sem alterações
A Secretaria da Saúde (Sesa) enfatiza a necessidade de diferenciar os imunizantes para evitar desinformação na população. A vacinação de rotina para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos não foi afetada e segue ocorrendo normalmente em todos os postos de saúde do Estado.
Essa campanha utiliza a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda, que está integrada ao Calendário Nacional de Vacinação desde 2024. O esquema vacinal da Qdenga consiste na aplicação de duas doses, com um intervalo de três meses entre elas. Até abril, o Espírito Santo registrou uma cobertura vacinal de 74,67% para a primeira dose e 42,97% para a segunda dose, totalizando mais de 88 mil jovens imunizados.