Com o objetivo de explicar ao controle social de saúde a decisão conjunta do Ministério da Saúde (MS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender temporariamente a estratégia atual de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), Eder Gatti, participou da 379ª Reunião Ordinária (RO) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), realizada na quarta-feira (10/06). Durante o encontro, o gestor informou que a medida foi anunciada na última segunda-feira (08/06), após a farmacovigilância identificar sinais de alerta em pessoas que receberam a dose do imunizante.
Após estudos clínicos de fase 1, 2 e 3, realizados com 11 mil voluntários acompanhados durante 5 anos, para verificação da eficácia e segurança do imunizante, a Anvisa autorizou, em dezembro de 2025, a produção e comercialização da vacina contra dengue desenvolvida pelo Butantan.
A estratégia previa, para os próximos 3 anos, a vacinação de todos os brasileiros de 15 a 59 anos de idade, no esforço de acabar com a dengue. A doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti ainda é um dos grandes enfrentamentos de saúde pública no país. Em 2024, pior ano da doença no Brasil, foram registrados 6.321 óbitos, segundos dados do MS.
Em janeiro de 2026, iniciou-se a estratégia de vacinação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em profissionais da Atenção Primária em Saúde (APS), ampliada ao público de 15 a 49 anos das cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além da região de Araguaína (TO) — área com alta incidência de dengue naquele período. Das 501 mil doses aplicadas de janeiro a maio de 2026, foram identificados 42 casos raros com registro de efeitos adversos, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Do total de casos raros, 3 foram considerados graves, sendo que dois dos pacientes vieram a óbito.
Gatti, destacou que, em cenários como esse, é protocolar suspender a aplicação do imunizante, para a realização de estudos mais aprofundados dos casos raros, com o intuito de compreender se há relação de causalidade entre o imunobiológico e os efeitos adversos observados. Ao suspender a vacinação, apresentar o cenário e justificar à sociedade a tomada de decisão, o Ministério da Saúde reforça o rigor científico que guia seu trabalho, bem como a credibilidade do Programa Nacional de Imunizações.
O Diretor do DPNI frisou que “não houve falha no licenciamento e incorporação da vacina por parte do Butantan ou da Anvisa”, e que a decisão de suspender a vacinação com o imunizante do Butantan é uma medida preventiva, que evita colocar a população brasileira em risco. Gatti complementa, ainda, que a identificação destes eventos raros significa que a farmacovigilância está fazendo seu trabalho de proteção da saúde da população brasileira.
Apesar da suspensão da estratégia vacinal com o imunizante do Butantan, a vacinação contra a dengue continua disponível no SUS, por meio do imunizante desenvolvido pela farmacêutica japonesa Takeda.
O Controle Social
A pandemia de Covid-19 revelou os impactos nefastos da desinformação em saúde. Diante do cenário de suspensão da vacinação contra a dengue, o conselheiro nacional de saúde, Carlos Duarte, demonstrou preocupação quanto à repercussão da notícia junto à parcela antivacina da sociedade brasileira, no sentido de colocar em xeque a ciência e o trabalho realizado por instituições como a Anvisa e o Instituto Butantan.
A chegada do período de chuvas aumenta o risco de contágio da dengue em todo o Brasil. O conselheiro nacional de saúde, Luiz Aníbal Machado, comentou que a procura pelos imunizantes contra a dengue só cresce, nos territórios, nessa época do ano. Entendendo que conselheiras e conselheiros nacionais de saúde são importantes formadores de opinião nos territórios, Gatti reforça o papel do Controle Social em combater a desinformação e evitar o alarde da sociedade diante dos eventos raros identificados na vacinação com o imunizante do Butantan.
A Presidenta do CNS, Fernanda Magano, reforçou que a desinformação gera doença e mortes. Magano convidou o DPNI, na pessoa do Diretor, Eder Gatti, a retornar ao Pleno do CNS, futuramente, com atualizações sobre .