Ministério da Saúde avalia segurança da vacina Butantan-DV após reações adversas e suspende uso no SUS.[…]
O Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não concluíram as investigações sobre os eventos adversos associados à vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Essa vacina é considerada uma ferramenta crucial no combate à dengue, especialmente em um cenário em que o calor e a chuva favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, potencializada pelo fenômeno El Niño.
Suspensão do uso da vacina no SUS
No dia 8 de junho, o uso da Butantan-DV foi temporariamente suspenso no Sistema Único de Saúde (SUS) após a identificação de 42 casos de reações adversas severas, que ocorreram após a aplicação do imunizante. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que especialistas estão investigando se há condições clínicas que possam ter contribuído para essas reações.
Expectativas para a investigação
Padilha afirmou que a conclusão das investigações ainda não tem prazo definido, mas expressou a esperança de que sejam finalizadas rapidamente. O Instituto Butantan está colaborando com a Anvisa para fornecer informações sobre os casos analisados. Dependendo dos resultados, a vacina pode ser restrita a determinados grupos ou regiões.
Alternativas de imunização contra dengue
Em paralelo à suspensão da Butantan-DV, o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de 18 milhões de doses da vacina Qdenga, fabricada pela farmacêutica Takeda, garantindo a imunização até 2027. Atualmente, mais de 8 milhões de jovens entre 10 e 14 anos já foram vacinados com essa alternativa.
Combate ao sarampo e suas implicações
Em relação ao sarampo, Padilha alertou sobre a ligação dos cinco casos recentes registrados na zona norte de São Paulo com surtos na Bolívia. Ele enfatizou que, em 2025, o Brasil notificou 38 casos importados da doença, mas a vacinação em massa tem sido eficaz em evitar sua propagação. O ministério tem reforçado a campanha de vacinação, especialmente em São Paulo e Guarulhos, onde alertas foram enviados aos moradores.
Impactos da crise climática na saúde pública
Durante o Fórum de Saúde promovido pela Amcham Brasil, Padilha destacou que a crise climática é uma questão de saúde pública, com um em cada 12 hospitais paralisando suas atividades devido a desastres climáticos. Ele ressaltou que a saúde global está diretamente ligada a essas mudanças, que podem levar ao surgimento de novas doenças em regiões antes consideradas seguras.