Notícia

Tribuna do Norte (Natal, RN)

Mini Baja: tecnologia de ponta

Publicado em 16 maio 2000

Por Ari Antonio da Rocha PROFESSOR DOUTOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL E MEMBRO DA ACADEMIA DE CIÊNCIAS - RN
Os problemas ocorridos com a réplica da Nau Capitânia da esquadra de Cabral, construída por um francês especialmente para os festejos do 'Brasil 500 Anos', representam um fracasso da tecnologia nacional. Certo? Errado! A visão equivocada e sensacionalista que foi mostrada pela televisão, influenciando negativamente a opinião de milhões de brasileiros, demonstra enorme pobreza de espírito e o desconhecimento de tudo o que vem sendo feito na área de ciência e da tecnologia no Brasil. Hoje, em vários campos, já somos capazes de desenvolver trabalhos equivalentes ao que de melhor se produz nos países mais avançados. Só para citar o exemplo mais famoso da atualidade, uma das aplicações do 'Projeto Genoma' (de biotecnologia) para melhoria da cana de açúcar, realizado por universidades e centros de pesquisas de São Paulo com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa daquele Estado), acaba de ser negociado pelos EUA. Outras aplicações estão sendo estudadas, inclusive a que poderá abrir o caminho para a cura do câncer. Na verdade, estamos assistindo a uma mudança de mentalidade que está permitindo ao país ingressar na 'Era do Conhecimento'. Demorou um pouco, mas não estamos mais nos contentando com a compra de tecnologia na forma de 'caixas pretas'. Demos um basta a essa atitude e começamos a nos preparar para gerar o conhecimento que precisamos e para decidir nosso próprio destino. E não é só nos grandes centros de pesquisas que isso vem acontecendo. A maioria das pessoas já ouviu falar do sucesso que o projeto Mini Baja, desenvolvido por alunos e professores do Centro de Tecnologia da UFRN, vem alcançando no Brasil e na competição mundial realizada nos Estados Unidos, mas acreditam que as provas se resumem a uma simples corrida de pequenos carros. Como no caso do fiasco da caravela ficam sem saber que esse trabalho incorpora grande quantidade de conhecimentos e que nosso ponto mais forte, que permitiu as vitórias conquistadas, foi sempre o da inovação tecnológica. O grupo, que viaja aos EUA no final do mês. para mais uma vez representar a engenharia brasileira, é fluente nas modernas técnicas computacionais e de engenharia, tendo incorporado conhecimentos avançados que refletem uma grande mudança nos conceitos de educação. Foi estabelecida uma nova postura que em lugar de valorizar somente o papel do professor, está mais voltada para o ato de aprender, onde o aluno passa a ter uma participação pró-ativa nos trabalhos acadêmicos, como um 'parceiro' que toma iniciativas e propõe soluções. Capaz de incorporar as habilidades que serão exigidas aos profissionais do Século XXI. Mais que qualquer outro fator, é o tipo de iniciativa que está forjando uma geração vitoriosa. Alunos conscientes da velocidade com que a tecnologia vem se transformando e de que os conhecimentos adquiridos no início do curso, já não servirão mais quando se formarem. Mais que treinamento profissional precisam aprender a aprender, a serem empreendedores e prosseguirem pesquisando e estudando ao longo da vida - principalmente após o diploma - porque sabem que o mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, só terá lugar para os mais qualificados. Aqueles que estiverem preparados para estar entre os melhores.