Notícia

Jornal de Brasília

Milho transgênico ataca doença de ave

Publicado em 09 agosto 2002

Transformar grãos de milho em remédio pode ser o caminho para combater uma doença que atinge frangos e dá mais de R$ 60 milhões por ano de prejuízo à avicultura brasileira. Cientistas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) acharam uma molécula que pode combater o problema e já dominam a técnica de engenharia genética para fazer com que o milho a produza. O alvo dos pesquisadores, coordenados por Adilson Leite, do CBMEG (Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética), são os protozoários Eimeria, micróbios que causam a doença chamada coccidiose aviária. Não é apenas o nome da doença que é indigesto: o parasita invade as células intestinais dos frangos, causando debilidade nos animais -o que é péssimo para o bolso de quem cria as aves, já que elas têm problemas para ganhar peso por causa do micróbio. Para piorar a situação, as linhagens do parasita estão ficando cada vez mais resistentes aos medicamentos que existem hoje. É aí que entra o trabalho de Leite, divulgado na edição deste mês da revista "Pesquisa Fapesp" (http://revistapesquisa.fapesp.br), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. OSSO ARTIFICIAL CONTRA FRATURAS Um grupo de pesquisadores da USP de Bauru (interior de São Paulo) desenvolveu um método para criar ossos em laboratório, prontos para serem implantados em pacientes que sofreram fraturas e sem problemas de rejeição. Um dos segredos do sistema, que pode ser testado em humanos daqui a um ano e meio, é usar ossos bovinos como suporte para o implante, uma técnica que aproveita a estrutura óssea gerada pela natureza e um material bem mais barato que os compostos sintéticos testados até hoje. De acordo com José Mauro Granjeiro, pesquisador da FDB (Faculdade de Odontologia de Bauru) e um dos coordenadores do projeto, as opções de pessoas que acabam perdendo parte do tecido ósseo estão longe de ser ideais. "Você pode tentar um enxerto retirado de um osso da própria pessoa ou de um banco de ossos, de um doador morto", diz. No primeiro caso, costuma-se retirar um trecho da crista ilíaca, um osso da cintura. Dependendo do tamanho, porém, retira-se uma cunha grande desse osso, o que pode deixar aquelas complicadas, como dores e dificuldade para caminhar. A outra opção, usar tecido ósseo de um doador, depende da análise de possíveis doenças da pessoa que doou o osso e da conservação do tecido em condições especiais. E envolve o risco de rejeição. O trabalho da equipe, que já vem sendo feito há dez anos, encontrou o molde ósseo ideal em pequenos pedaços de osso bovino, que ajudam o implante a desenvolver uma estrutura igual à de um osso verdadeiro. "O osso bovino já tem poros biologicamente desenhados que permitem isso", afirma Granjeiro. Para criar o implante, os pesquisadores extraem osteoblastos (células que vão formar o tecido ósseo) da medula, que são separados das demais células dessa região e cultivados em laboratório (veja o quadro abaixo). Colocados na matriz óssea, eles se multiplicam e são banhados com a proteína BMP (proteína morfogenética óssea, na sigla em inglês), que estimula o crescimento do tecido. Depois de cerca de 40 dias, o implante está pronto para voltar ao paciente. Testada até agora em coelhos, a técnica tem mostrado bons resultados. O uso da matriz bovina, de acordo com Granjeiro, é um dos diferenciais do trabalho. "Grupos no exterior estão testando polímeros compostos orgânicos formados pela repetição da mesma unidade básica muito caros, que não têm a vantagem da porosidade natural do osso", afirma. O outro "pulo do gato" da equipe, diz o pesquisador, é não criar implantes com o mesmo tamanho da fratura, mas pequenas "pastilhas" com o tecido ósseo. "O problema de implantar algo muito grande é a irrigação do sangue, que não conseguiria abranger o implante", explica Granjeiro. "Com implantes pequenos, isso seria contornado e o próprio organismo se encarrega de refazer a forma original do osso", afirma o pesquisador da USP. Outra idéia do grupo é descobrir em que situações é melhor usar uma matriz de colágeno (a parte orgânica do osso, mais maleável) ou uma de fosfato de cálcio (a parte mineral). "Isso deve depender do tipo de fratura, já que o colágeno é totalmente absorvido pelo organismo, mas não é tão resistente, enquanto a parte mineral pode ser mais frágil para fixar o implante", afirma o pesquisador. Além de Granjeiro, a pesquisa está sendo coordenada por Eulázio Taga e Rumio Taga, também do FOB, e por Mari Sogayar, do IQ (Instituto de Química) da USP de São Paulo. O trabalho recebe apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da empresa Baumer S.A.