Como se fosse um imenso iceberg, a Amazônia já conhecida é pouco aproveitada, muito aquém de suas possibilidades, sendo apenas a pequena ponta que se eleva acima da linha d’água. Abaixo, fora das vistas, há um incalculável manancial de tesouros, muitos dos quais ainda por descobrir e aprender a usar, em benefício dos seus povos e da preservação da floresta.
Uma elogiável tentativa de alcançar essas riquezas e desvendar os mistérios que a amplitude do bioma oculta foi anunciada pela Iniciativa Amazônia+10 em parceria com o CNPq: a Chamada Expedições Científicas oferece R$ 60 milhões a pesquisas para ampliar o conhecimento sobre a floresta. É justo esperar muito desse trabalho, até para valorizar sua ótima intenção.
Um dado importante da chamada é que ela não pretende acolher apenas os projetos já existentes, embora com dificuldades de financiamento. Permitirá aos pesquisadores aproveitar as férias e o descanso de fim de ano para alinhavar pesquisas em cogitação, mas ainda em compasso de espera. Os cientistas terão tempo para elaborar seus projetos até o fim de abril do ano que vem, quando se encerra o prazo para a submissão das propostas.
A Iniciativa Amazônia+10 é uma espécie de milagre brasileiro: constituída pelos conselhos nacionais das fundações de amparo à pesquisa e de secretários para assuntos de ciência, tecnologia e inovação. revela a capacidade de unir em tempos de desunião.