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Ciência Hoje (Portugal)

Mil novas espécies de insectos detectadas na fauna brasileira

Publicado em 04 janeiro 2010

Cientistas brasileiros detectaram a existência de pelo menos mil novas espécies de insectos da fauna brasileira nas florestas tropicais do Brasil, que nunca antes tinham sido identificados. Contudo, estes animais ainda desconhecidos podem ter a sua sobrevivência em risco devido ao avanço da monocultura.

A investigação decorreu ao longo de cinco anos, período de tempo em que investigadores da Universidade de São Paulo (USP) recolheram em florestas tropicais do interior e do litoral do Brasil um volume de 300 mil exemplares de insectos, entre moscas, mosquitos e besouros, tendo sido surpreendidos pelo facto de uma em cada duas espécies de mosquitos e moscas da floresta Atlântica ser nova.

De acordo com o coordenador da investigação financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) através do Programa Biota - que investe em projectos sobre a biodiversidade da fauna brasileira -, estima-se que existam duas mil espécies diferentes e que pelo menos metade delas ainda não tenham sido descritas por cientistas.

“Os números da biodiversidade da América do Sul e Central são muito grandes, comparáveis aos dos países do Sudeste Asiático que são áreas hiperdiversas”, afirmou à Lusa o biólogo Dalton de Souza Amorim, especialista em diversidade de insectos pouco conhecidos que vivem em ambientes naturais longe dos centros urbanos.

Na opinião deste investigador, há ainda uma grande quantidade de espécies que não foram identificadas. “As que já foram descritas representam apenas uma parte do todo. Há uma grande parte que nem foi colectada ainda”, explicou.

A investigação científica que reuniu especialistas brasileiros e contou com parcerias de institutos internacionais norte-americanos, europeus e de países asiáticos, fez a recolha de insectos no bioma da floresta tropical do sul do Brasil até ao nordeste do país.

“O material foi colectado de Santa Catarina até a Paraíba, abordando uma ampla cobertura geográfica. O mais importante que descobrimos foi a existência de espécies muito diferentes no interior do Brasil em relação às do litoral”, assegurou o biólogo.

Áreas de reservas biológicas

Neste sentido, Amorim defende a necessidade de se criar áreas de reservas biológicas de florestas no interior do Brasil que, segundo diz, são “muito escassas”.

Actualmente, o avanço da monocultura que dizimou grande parte dessas florestas é motivo de preocupação dos biólogos, que se afligem pela sobrevivência dessas espécies, principalmente as que habitam florestas do interior do país. Esta diversidade da fauna, destaca, está “extremamente ameaçada” pois são poucas as áreas protegidas.

O alerta feito pelo investigador, que admite ainda não saber a importância ecológica desses insectos, critica o cultivo da cana-de-açúcar, da laranja e da soja sobre as florestas nativas do interior do país que põe em risco as milhares de espécies ainda desconhecidas.