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Microssonda Iônica propicia análises geológicas de precisão

Publicado em 22 julho 2011

 

SÃO PAULO (Agência USP) - O Instituto de Geociências (IGc) da USP acaba de disponibilizar para pesquisa acadêmica e setor produtivo uma Microssonda Iônica de Alta Resolução do tipo SHRIMP IIe (Sensitive High Resolution Ion Microprobe). Trata-se de do primeiro equipamento deste tipo na América Latina. “Em todo o mundo existem apenas 13 microssondas semelhantes a esta”, afirma o professor Colombo Celso Gaeta Tassinari, do IGc, coordenador do Laboratório de Geocronologia de Alta Resolução com Microssonda Iônica de Alta Resolução, inaugurado em novembro de 2010. O equipamento, que está em operação desde junho deste ano, será utilizado principalmente para análises isotópicas de alta precisão em minerais, nos processos de datação de rochas de todas as naturezas e na caracterização dos sedimentos formadores de rochas de reservatórios de petróleo, entre outros.

Tassinari explica que nos processos convencionais de análises isotópicas para datação dos minerais o mesmo é dissolvido e tratado quimicamente para depois ser analisada a sua composição isotópica, como muitas vezes um mineral é formado em épocas diferentes, por exemplo, “o núcleo de um mineral pode ter idade diferente de sua borda, nos métodos convencionais às idades obtidas através destas análises pode representar a média das idades de cristalização do núcleo e da borda”, descreve. Com o novo SHRIMP IIe será possível realizar o exame do material sem dissolvê-lo e sem nenhum tratamento químico. A microssonda tem a capacidade analisar um mineral em pontos de 30 microns (µm) a 5µm. “Medidas bem menores que a ponta de uma caneta esferográfica”, estima Tassinari.

A microssonda poderá produzir análises pontuais de alta resolução, medindo isótopos com massas bem distintas do tipo Chumbo (Pb) e Urânio (U), simultaneamente, com grande precisão. “Para datações, utilizamos o método U-Pb em zircão zonados, obtendo-se idades de cristalização de cada zona do mineral”, conta o pesquisador, explicando que “o zircão é um mineral comum a todas as rochas e que permite análises de datação.”

Pesquisas com petróleo
Tassinari cita como exemplo os estudos com petróleo, principalmente nas análises de estratigrafia fina das camadas geológicas em bacias sedimentares. “Normalmente as análises de zircões para datação de rochas levam em média três meses, estima o pesquisador. “Com o SHRIMP IIe, o tempo é reduzido a cerca de dez minutos.”

Além das pesquisas e na exploração de petróleo, o equipamento poderá ser usado na indústria de mineração e em pesquisas acadêmicas, em que poderão ser datados com maior precisão os eventos geológicos.

O professor conta ainda que o SHRIMP II e foi adquirido há cerca de três anos por cerca de US$ 3 milhões, com investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Petrobrás. “Atualmente, seu custo deve estar em torno de US$ 4 milhões”, estima Tassinari. O equipamento está instalado no IGc, no Laboratório de Geocronologia em Microssonda Iônica de Alta Resolução. “É o primeiro laboratório deste tipo na América Latina’, comemora.