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Microscópios de super-resolução tornam Unicamp referência na América do Sul

Publicado em 03 novembro 2019

Por Gustavo Aleixo

Criado a partir da associação entre o Instituto de Biologia (IB) e o Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Instituto Nacional de Fotônica Aplicada à Biologia Celular (INFABiC) torna-se o primeiro Centro de Microscopia de Excelência Zeiss da América do Sul.

No local, são desenvolvidos estudos avançados de microscopia em materiais biológicos com a utilização de lasers de última geração e técnicas e equipamentos ópticos não lineares. No laboratório de perfil multiuso, já são disponibilizados nove microscópios com técnicas de microscopia para toda a comunidade acadêmica.

Parceria

A parceria com a multinacional alemã Zeiss, líder em tecnologia do setor óptico e optoeletrônico, permitiu a instalação de dois equipamentos de super-resolução, a última tendência mundial para observação de células vivas e detalhamento de moléculas.

“Essa nova aquisição do Super-Resolution vai nos levar para o nível molecular, para outro limite das nossas técnicas. Já temos toda a parte de óptica não linear, com seu sistema de manipulação molecular, e agora incorporando um equipamento com pelo menos três técnicas diferentes”, destaca Carlos Lenz Cesar, professor titular colaborador do IFGW e que coordena o INFABiC juntamente com Hernandes Carvalho, docente do IB.

O INFABiC foi criado em 2009 com financiamento do consórcio entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para formação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), submetendo um projeto que contou com mais de 30 pesquisadores de várias instituições nacionais e 20 subprojetos (o contrato foi renovado em 2014).

“Fomos, de longe, os primeiros a ter toda a parte de ótica não linear montada no Brasil, desde o início com a perspectiva de disponibilizar um sistema de equipamentos para todas as áreas: física, química, biologia, engenharia química, engenharia de alimentos, medicina e farmácia”, enfatiza o professor do IFGW.

Centro de Excelência

No dia 23 de outubro, foi realizado o 7º Workshop Téorico-Prático, evento anual com palestras sobre diversos tipos de microscopia para usuários e pesquisadores de várias instituições do País, ocasião em que se oficializou o INFABiC como Centro de Excelência Zeiss.

No auditório lotado por alunos e pesquisadores, Christian Hellriegel, especialista do Centro de Excelência Zeiss do Harvard Center for Biological Imaging, falou sobre suas experiências na área para em seguida, no IFGW, fazer uma demonstração dos novos Super-Resolution adquiridos pelo laboratório da Unicamp.

Bruno Martins Lima, diretor da área de Microscopia da multinacional alemã, adianta que os pesquisadores do INFABiC terão preferência para observar e opinar sobre toda nova tecnologia que a empresa introduzir no Brasil.

“Eles vão poder participar das reuniões bienais que promovemos com todos os centros de excelência, na ideia de facilitar a colaboração entre eles. Também podemos trazer colaboradores da América do Sul para conhecer o centro e as nossas tecnologias. Há toda uma contrapartida para tornar a parceria duradoura, sendo que o contrato não prevê remuneração em dinheiro. A empresa abrirá um crédito que poderá ser convertido em mais produtos e serviços”, disse.

A Zeiss surgiu há 172 anos e possui 30 mil funcionários no mundo, com presença de forma direta em 40 países – no Brasil, há 90 anos, sendo a segunda multinacional alemã mais antiga aqui estabelecida.

Aplicações

O professor Carlos Lenz Cesar, físico da área de óptica e fotônica, esclarece que a óptica se tornou fundamental para a biologia celular por lidar com as únicas técnicas que possibilitam observar eventos acontecendo em tempo real. “A óptica é a única técnica com sensibilidade para se observar uma única molécula. Outras poderiam chegar a uma molécula, mas com um tempo de observação absurdamente grande, enquanto na óptica o tempo é tão curto que se pode acompanhar o seu movimento”, explicou.

Para Francisco Breno Teófilo, mestrando do IB orientado pelo professor Hernandes Carvalho, os dois novos microscópios de super-resolução são extremamente importantes para o desenvolvimento de pesquisas de ponta na área de biologia celular.

“O Super-Resolution permite elucidar determinados aspectos que não poderíamos observar com outros equipamentos. No meu caso, como investigo mitocôndrias na próstata, é fundamental um equipamento de alta resolução para compreender a estrutura dessa organela. O uso dessas tecnologias vem crescendo no estudo das mitocôndrias em pesquisas relacionados ao metabolismo”, pontuou.

Isabella Barbutti Gonçalves, também orientanda de Hernandes Carvalho, está no fim do doutorado, tendo como objeto de estudo uma proteína que não deveria estar presente em células de próstata, e que com os novos microscópios podem ser observadas em 3D.

“A proteína está normalmente na corrente sanguínea. Com esses equipamentos, consigo ver melhor em que células e regiões de células a proteína está presente ou não. Um aspecto dos mais importantes é a possibilidade de cultivar a célula tridimensionalmente, deixando-a mais parecida com uma próstata normal em comparação com o modelo bidimensional”, observou a orientanda.