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Diário do Nordeste online

Microbiota intestinal versus vitamina D

Publicado em 22 abril 2017

Os níveis de vitamina D circulantes no organismo podem influenciar o perfil da microbiota intestinal e aumentar o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e metabólicas, segundo pesquisa que conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e publicada na revista "Metabolism".

Segundo Sandra Vivolo, coordenadora da pesquisa, já era do conhecimento público a importância da vitamina D para a homeostase do sistema imune, "mas o que o estudo acrescenta é que essa relação ocorre, pelo menos em parte, pelas interações com a microbiota intestinal".

As conclusões estão baseadas na análise dos dados de 150 voluntários entre 20 e 30 anos (91% mulheres) que estão cursando ou já concluíram Nutrição. Esse estudo transversal é um desdobramento de outro maior longitudinal, o Nutritionists Health Study.

"É oportuno avaliar nutricionistas, pois são indivíduos aptos a responder questionários técnicos, especialmente relacionados à dieta", explica Sandra Vivolo, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Sol, dieta e suplementos

O estudo buscou comprovar a relação entre a ingestão de uma porção maior de alimentos ricos em vitamina D e a ocorrência de um maior nível do nutriente na circulação sanguínea. A associação pode parecer óbvia, mas não é. A literatura científica é controversa sobre isso, pois apenas 20% da vitamina D existente no organismo humano é proveniente da dieta. A porção ideal só é obtida por meio da exposição ao sol ou ingestão de suplementos.

Grupos pesquisados

Após dosar a concentração do nutriente no sangue dos participantes e avaliar o padrão alimentar, o grupo de pesquisadores concluiu que de fato havia uma associação entre maior ingestão de itens ricos em vitamina D e níveis circulantes mais elevados.

A população estudada foi dividida em três grupos, levando em conta os níveis insuficientes de vitamina D; as concentrações intermediárias; e as concentrações altas (participantes que usavam suplementos).

Hipóteses

"Observamos que os participantes com maior nível de vitamina D circulante apresentavam no sangue uma quantidade menor de lipopolissacarídeos (LPS)", especificou a pesquisadora.

As moléculas de LPS estão presentes na superfície de algumas bactérias do tipo Gram-negativas do trato intestinal. Esse dado possibilita levantar a hipótese de que os indivíduos mais suficientes de vitamina D tenham uma composição saudável da microbiota intestinal.

Essa molécula é considerada imunogênica, ou seja, ela é capaz de induzir uma resposta inflamatória no organismo. Níveis sanguíneos mais altos dessa substância, portanto, favoreceriam o desenvolvimento de um estado de inflamação subclínica, fator que tem sido associado em vários estudos ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas.