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Diário do Comércio (MG)

M.I. Dengue deverá elevar negócios da Ecovec

Publicado em 15 maio 2007

Com sede em Belo Horizonte, a Ecovec Ltda., empresa que atua no segmento de desenvolvimento de tecnologias, que recebeu na Califórnia (EUA), em outubro de 2006, o prêmio Tech Musum Awards, considerado o Oscar do mundo tecnológico destinado aos projetos que são destaque na área de saúde, prevê para este exercício um faturamento de R$ 3 milhões, ante os R$ 150 mil em 2006, com o M.I. Dengue - Monitoramento Inteligente da Dengue. Este sistema contou com o apoio do Instituto Inovação, aceleradora de negócios de Belo Horizonte, para deixar de ser uma idéia e se transformar em um projeto empresarial que deu vida a Ecovec.
O projeto, que une três inovações tecnológicas, foi desenvolvido em parceria com o Institudo de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB-UFMG) com a ajuda do professor e biólogo Álvaro Eduardo Eiras, responsável pelas pesquisas do Mosqui Trap (armadilha desenvolvida para capturar as fêmeas grávidas do mosquito Aedes aegypty) e do AtrAeds (feromônio sintético desenvolvido para atrair fêmeas do mosquito). Esses dois produtos são utilizados com o Geo-Dengue software, criado para realizar, em tempo real, as informações de monitoramento das áreas de incidência do vetor.
A empresa gera hoje 20 empregos diretos com o quadro de pesquisadores, mas este número deve receber um incremento já que a sede da empresa estará mudando para outro endereço em função do crescimento. A Ecovec conta com uma carteira de quatro clientes, mas pretende fechar o ano com pelo menos 30. "Nossos principais clientes são prefeituras", explicou Eiras.
"Atendemos, inicialmente, a quatro municípios: Congonhas (região Central), Vitória (ES), Três Lagoas (MS) e Presidente Epitácio (SP). Entretanto, com urna parceria com o Ministério da Saúde, deveremos monitorar uma área de 60 quilômetros quadrados, no entorno da Vila do PAN", comentou o diretor da empresa, Pedro Giuliano Cardoso. O custo para utilização do monitoramento gira em torno de R$ 590 por quilômetro quadrado.

Resultado voltado para reinvestimento
Nos últimos cinco anos, período em que a empresa foi criada, o trabalho foi totalmente voltado para o desenvolvimento. "Só entramos no mercado, pra valer, neste ano", comentou. "Do resultado da empresa, 100% é reinvestido em aumento do quadro de funcionários e em pesquisas para melhorar o nosso produto", explicou Cardoso.
"Esperamos ó retorno do investimento nos próximos três anos", disse ele. O trabalho de pesquisas é feito na UFMG e a parte de análises e publicações em sua sede.
Considerada como um flagelo mundial, a dengue, doença que afeta a cada ano entre 50 milhões a 100 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente nas áreas tropicais.
A armadilha e o atraente são produtos patenteados pela UFMG, com licença de exploração e uso dos produtos para a Ecovec. "Percebi que o sistema de monitoramento de onde o mosquito está era muito precário. Aí comecei a desenvolver uma armadilha que agilizaria o processo de detecção do foco do mosquito", contou o professor, Álvaro Eduardo Eiras.
Segundo ele, a idéia do atraente surgiu em 1998 e o desenvolvimento durou, aproximadamente quatro anos com um recurso de pesquisa da ordem de US$ 10 mil, do International Foundation for Science, da Súecia. "Hoje já temos um novo atraente, mais eficaz, que entrará em breve no mercado", adiantou Eiras. A idéia da armadilha, por sua vez, surgiu em 2000 e no ano seguinte foi patenteada pela Fundação de Estudos e Pesquisas (Finep).
O produto passou por avaliações no Ministério da Saúde, Organização das Nações Unidas para educação, a ciência e a cultura (Unesco), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Fundação de Amparo à Pesquisa de São P (Fapesp), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Superintendência de Controle de Endemias (Sucen SP), além de avaliações na Austrália, França, Itália e Estados Unidos. "O Ministério da Saúde tem sido parceiro, acreditando e depositando credibilidade nesta ferramenta para ser incluída no programa de controle nacional de dengue", contou Eiras.