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Metrópoles precisam se adaptar para mudanças climáticas

Publicado em 01 abril 2016

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Michigan (UM), dos Estados Unidos, estão conduzindo uma pesquisa para entender como uma megacidade, como São Paulo, tem se organizado para lidar com as ameaças das mudanças climáticas.

Segundo as coordenadoras do projeto e professoras, Gabriela Marques Di Giulio, da USP, e Maria Carmen Lemos, da UM, as ações de mitigação não são suficientes para evitar os impactos climáticos e a crescente compreensão sobre o assunto tem aumentado o número de cidades com planos de adaptação as mudanças climáticas. Porém, há muitas cidades em situação de risco que estão deixando de se prevenir devido a limitações econômicas, institucionais ou políticas.

Para realizar o estudo, foram analisadas pesquisas documentais (opinião pública, conteúdo jornalístico, documentos e dados socioeconômicos), material de literatura científica, entrevistas com cidadãos e grupos sociais, além de reuniões técnicas e científicas.

“Estamos construindo uma plataforma analítica para entender melhor o processo complexo da adaptação, especialmente se considerarmos as incertezas relacionadas às projeções climáticas de ocorrência e frequência de eventos extremos. Em termos de fatores contextuais que influenciam diretamente a capacidade de adaptação, também analisamos como as restrições econômicas, institucionais e políticas afetam a capacidade das cidades de prover serviços básicos e de apoiar as populações, infraestruturas e ecossistemas atuais”, explicou Di Giulio.

Segundo a professora, o desafio da cidade de São Paulo é integrar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas com outras políticas, como as de moradia, de saneamento e as de planejamento urbano.

“São Paulo, por exemplo, que é nosso foco de pesquisa, faz parte do C40 Cities Climate Leadership Group [rede de megacidades comprometida com os desafios envolvidos nas mudanças climáticas globais] e é uma das poucas megacidades que contam com uma política municipal sobre mudanças climáticas globais, instituída em 2009, ainda que a maioria dos objetivos não tenha sido atingida”, afirmou Di Giulio.

O estudo ainda afirma que a população paulistana reconhece os impactos das mudanças climáticas, mas tendem a ver o problema como algo menor e que está associado a outras questões que as pressionam mais, como foi o caso da crise hídrica.

O projeto continua com o desenvolvimento do CiAdapta (Cidades, Vulnerabilidade e Mudanças Climáticas), uma abordagem integrada e interdisciplinar que analisará ações e a capacidade de adaptação de seis capitais brasileiras: São Paulo, Manaus, Fortaleza, Vitória, Curitiba e Porto Alegre.

** Com informações da Agência Fapesp