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USP Inovação

Métodos de aproximar a Universidade das empresas é tema de debate na USP

Publicado em 27 junho 2017

Por AUSPIN

Segundo o professor Vanderlei S. Bagnato, a inovação e o empreendedorismo podem incentivar o interesse do setor produtivo pela ciência.

Como estimular a demanda das indústrias por ciência? Essa foi a pergunta que motivou um dos debates realizados no Instituto de Estudos Avançados da USP no dia 19 de junho, durante o workshop Ciência & Indústria. O professor Vanderlei S. Bagnato, coordenador da Agência USP de Inovação, foi convidado a mediar a discussão e trouxe a visão da Agência sobre o tema. Fizeram parte da mesa também Sandoval Carneiro Jr., do Instituto Tecnológico Vale, Gianne Sagazio, da Confederação Nacional da Indústria e da Mobilização Empresarial pela Inovação, Cláudio Pinhanez, líder do Social Data Analytics Group da IBM, Eduardo F. G. Santos, da Petrobras, e Jarbas Caiado de Castro Neto, do Instituto de Física de São Carlos da USP e presidente da Opto Eletrônica.

Segundo o professor Bagnato, é necessário encontrar métodos para “incentivar as empresas a terem interesse pelo desenvolvimento científico”. No passado, como mencionado por ele, era comum que as empresas investissem em ciência e inovação – como era o caso da Bell Labs (hoje AT&T), que empregava doutores em física e desenvolvia matemática avançada dentro da empresa. Hoje, no entanto, tal prática é rara e a inovação passou a ser tarefa das universidades, que têm o papel de oferecer tecnologias e ideias que possam ser utilizadas pelo setor produtivo. Para isso, é preciso que existam convênios e parcerias, mas também incentivo aos pesquisadores e alunos para que sejam empreendedores e contribuam para a inovação. “Contribuir para a inovação não é formar empresa”, Bagnato esclarece, “é contribuir com suas ideias, com o que você é capaz.”

É preciso também, de acordo com o professor, que haja fomento à cultura de start-ups dentro da Universidade, uma vez que parte dos estudantes deve estar disposta a empreender e gerar empregos. “Uma fração de nossos estudantes tem que estar convencida de que ao sair da universidade será geradora de emprego, e não ‘procuradora de emprego’”, afirma. As empresas que surgem dentro da universidade são essenciais também por entenderem a importância da ciência: “Uma empresa que começa na universidade sabe do que precisa”, pontua Bagnato. O desenvolvimento e crescimento das start-ups depende da existência de incubadoras e parques tecnológicos, que estimulam e ampliam o contato com novas ideias que podem ser utilizadas não só no estágio atual das empresas, mas também no futuro.

Além disso, a Academia precisa estar disposta e empenhada em trabalhar com as empresas. As universidades são capazes de cooperar com o setor produtivo – o professor cita que números apresentados durante o workshop e a atuação de agências de fomento como a Fapesp comprovam tal capacidade. Contudo, é necessário que haja organização de ambas as partes. “Programas bem elaborados aproximam a ciência da empresa”, defende Bagnato. O professor ressaltou também a importância de indicativos efetivos dos resultados das ações em parceria entre a universidade e empresas como uma forma de incentivar o investimento do setor produtivo em ciência. “Nós temos que estar sempre em um estado de alerta para colaborar com as empresas. Não importa em qual área, sempre há espaço”, conclui.