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Metodologia Inovadora de Inteligência Geoespacial: Acelera e Torna Precisa a Gestão do Uso da Terra (37 notícias)

Publicado em 06 de março de 2025

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Tupã desenvolveram uma nova metodologia de inteligência geoespacial que promete aprimorar projetos de gestão do uso da terra e planejamento territorial. Esta ferramenta inovadora permite delimitar com precisão áreas de floresta amazônica, vegetação de Cerrado, pastagens e culturas agrícolas em sistema de cultivo duplo. Tais mapeamentos podem fornecer subsídios valiosos para políticas públicas voltadas à produção agrícola e conservação ambiental.

Metodologia Inovadora para Mapeamento de Terras

A metodologia combina a arquitetura de cubos de dados, popularizada no Brasil pelo projeto Brazil Data Cube do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com a abordagem Geobia (Geographic Object-Based Image Analysis). Com esta técnica, os cientistas foram capazes de identificar a vegetação e as práticas de cultivo duplo, como soja e milho, ao longo de uma safra em Mato Grosso. Para isso, foram utilizadas séries temporais de imagens de satélite do sensor Modis da NASA

Os resultados mostraram que a combinação dessas metodologias, em conjunto com algoritmos de aprendizado de máquina, alcançou uma taxa de acerto de 95% no mapeamento. Essa precisão é crucial para a eficácia das análises em gestão territorial.

Vantagens da Geobia e Cubos de Dados

A técnica Geobia é essencial para o processamento de imagens de satélite, pois permite a segmentação de pixels em geo-objetos. A análise dessas características, como forma e textura, proporciona uma interpretação mais próxima da realidade. Os cubos de dados, por sua vez, organizam informações em dimensões de tempo e localização, facilitando a visualização de dados referentes a uma área específica em um período determinado.

Atualmente, os mapeamentos convencionais utilizam análises pixel por pixel, o que gera problemas de confusão espectral em áreas de borda entre usos de terra distintos. Ao segmentar as imagens e considerar o geo-objeto como unidade mínima de análise, a nova metodologia reduz erros de borda e melhora a identificação de alvos mesmo em resoluções espaciais moderadas.

Aplicação Prática no Mato Grosso

Mato Grosso se destaca como líder na produção nacional de grãos, representando 31,4% da produção total do Brasil, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. A expectativa é que o Estado alcance 97,3 milhões de toneladas na safra 2024/2025, um aumento de 4,4% em relação à safra anterior, com destaque para a soja, que deve contribuir com 46,1 milhões de toneladas.

Além disso, Mato Grosso é um dos Estados com maior biodiversidade, possuindo parte dos três maiores biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Pantanal . Devido à variedade dos usos do solo e tipos de vegetação, a nova metodologia foi aplicada utilizando dados da safra estratégica de 2016/2017, quando o Brasil produziu 115 milhões de toneladas de soja, das quais 30,7 milhões de toneladas vieram do Estado. A classificação de uso do solo incluiu diversas culturas, como culturas de cana-de-açúcar, áreas urbanas e corpos d'água.

Os resultados mostraram precisão geral de 95%, evidenciando o potencial da metodologia para mapeamentos mais precisos e informativos sobre florestas e áreas agrícolas. A metodologia pode ser aplicada para estimativas de área dentro de uma mesma safra, favorecendo previsões de produtividade e auxiliando no planejamento territorial.

Detecção de Mudanças Ambientais

Além de suas aplicações na agricultura, a metodologia permite a análise de perturbações em florestas e vegetação natural, proporcionando identificações mais rápidas de desmatamento em comparação com degradação. Essa agilidade na detecção de variações é crucial para o monitoramento ambiental.

Os pesquisadores também prestaram homenagem à professora Ieda Del'Arco Sanches, reconhecida por seu trabalho em sensoriamento remoto no Inpe, enfatizando a importância de sua contribuição para a análise serial de dados e políticas públicas.

O artigo detalhando essa nova abordagem foi publicado na revista científica AgriEngineering e pode ser acessado aqui . A pesquisa conta com o apoio da FAPESP, viabilizando avanços significativos na gestão da terra e tecnologia de sensoriamento remoto.

Informações da Agência FAPESP