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Método permite acessar dado genético em amostra de sangue e relacioná-lo a transtornos psiquiátricos (20 notícias)

Publicado em 11 de maio de 2023

Por /a: Julia Mióli Fuente: Agência FAPESP

Autor/a: Julia Mióli Fuente: Agência FAPESP 

Uma das maiores dificuldades que pesquisadores da área de genética psiquiátrica enfrentam na busca de marcadores para predizer o risco de transtornos psiquiátricos tem sido utilizar amostras de sangue para estudar doenças que, na verdade, estão no cérebro. A alternativa encontrada por um grupo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para superar essa limitação foi estudar os exossomos – pequenas vesículas carregadas de material genético que potencialmente contêm moléculas provenientes do sistema nervoso central.

A análise dessas vesículas – capazes de ultrapassar a barreira hematoencefálica e carregar pelo corpo pequenas moléculas de RNA (microRNAs) – mostrou ser possível encontrar padrões associados com depressão, ansiedade e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), abrindo caminho para, no futuro, aprimorar o acompanhamento de pacientes e oferecer tratamento precoce. Os resultados do estudo foram publicados na revista Translational Psychiatry.

“Apesar de ainda serem necessárias mais validações desses microRNAs, nosso trabalho indica que o material genético de moléculas carregadas pelo corpo pode ser identificado de forma pouco invasiva ”, afirma Jessica Honorato Mauer, primeira autora do estudo. “Não conseguimos ter certeza de que os exossomos analisados vêm do cérebro, mas sabemos que conseguem regular a expressão dos genes em vários tecidos e podem estar implicados em mecanismos que aumentam o risco para transtornos psiquiátricos.”

Os pesquisadores envolvidos no estudo, financiado pela FAPESP, retiraram as vesículas extracelulares do soro sanguíneo de um grupo de 116 jovens participantes da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais (em inglês, Brazilian High Risk Cohort Study - BHRCS) em dois momentos (separados por três anos, ou seja, na adolescência e no início da idade adulta). Dessas vesículas extraíram os microRNAs, que foram sequenciados tanto para analisar a variação ao longo dos anos, quanto para identificar associações com transtornos específicos.

No primeiro caso (análise da variação no tempo), os participantes foram divididos em quatro grupos, considerando a trajetória de seus transtornos: o “controle” incluiu pacientes sem diagnóstico nos dois pontos de tempo analisados; no grupo “incidente” ficaram aqueles que só apresentaram algum transtorno no segundo momento analisado; já o “remitente” reuniu participantes com diagnóstico positivo apenas na primeira análise; e, por fim, no “persistente” estavam aqueles diagnosticados nos dois momentos analisados. As diferenças entre os microRNAs nesses grupos foram comparadas, mas os pesquisadores não encontraram dados estatisticamente significantes – ainda assim, os resultados dos testes estatísticos podem ser utilizados futuramente em meta-análises e outros estudos relacionados ao tema.