Notícia

A Cidade (Ribeirão Preto)

Método na Unesp destrói corantes

Publicado em 29 junho 2008

Pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criaram novo método para a degradação de corantes químicos despejados na natureza por indústrias têxteis. De acordo com a coordenadora do projeto de pesquisa, a professora Maria Valnice Zanoni, o trabalho foi impulsionado pelo objetivo de evitar danos à flora e à fauna dos ecossistemas aquáticos, além de minimizar o risco à saúde causado pela água descartada na natureza após processos industriais com aplicação de corantes em tecidos e fibras. A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Trata-se de um método fotoeletroquímico, capaz de destruir os corantes em efluentes, evitando a contaminação de reservatórios e estações de tratamento de água. O estudo foi baseado em descobertas recentes feitas em parceria com pesquisadores dos câmpus da capital e de Ribeirão Preto da USP, sobre propriedades toxicológicas e mutagênicas de alguns corantes utilizados pela indústria têxtil nacional.

Consiste basicamente no acoplamento de técnicas eletroquímicas e fotoquímicas que promovem a degradação completa dos corantes, transformando-os em dióxido de carbono e água. A próxima fase do estudo será a criação de um protótipo industrial do método para aplicação em larga escala, informa Maria Valnice.

Águas contaminadas – Um dos efeitos mais preocupantes dos corantes são os problemas relacionados à degradação parcial e ao processo de transformação biológica pelo qual podem gerar outras substâncias, com propriedades cancerígenas. Segundo a especialista, isso ocorre porque eles apresentam estruturas moleculares diversificadas, com grau de pureza reduzido, baixa eficiência de fixação na fibra e grande quantidade de aditivos químicos, utilizados no processo de tintura.

Maria Valnice diz que, além de remover e destruir os corantes nas águas de efluentes e estações de tratamento, o método consegue identificar essas substâncias até mesmo na água própria para consumo. Isso porque, mesmo em baixas concentrações, há o risco de essas águas terem derivados com propriedades nocivas, explica.