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Instituto de Pesca

Método mais barato de criação de lambari para isca viva

Publicado em 18 fevereiro 2021

Por Alex Koike

Com materiais alternativos de baixo custo uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo conseguiu reduzir os custo para a criação de lambari.

O peixe é usado como isca-viva na pesca do robalo e o seu cultivo reduz a captura predatória de outros organismos do ambiente para o mesmo fim, em especial o camarão-branco (Litopenaeus schmitti).

“Na pesca do robalo é muito utilizado o camarão vivo e, em virtude da sobrepesca e do desrespeito ao ciclo de vida do animal, a captura dessa espécie nos estuários é considerada uma atividade predatória”, afirma Marcelo Barbosa Henriques, pesquisador do IP.

Henriques e sua equipe buscam introduzir o lambari como alternativa de isca-viva ao crustáceo, por se tratar de uma espécie que pode ser cultivada.

Uma ajuda para a natureza

Em um trabalho inicial foi feita a comparação entre o camarão e o lambari. “Chegamos a conclusão que o lambari cultivadoem tanques de recirculação é mais barato que o camarão”, relata.

Essa pesquisa foi publicada em um dos mais importantes periódicos internacionais que tratam do assunto, Fisheries Management and Ecology.

Isso dá um fôlego à população de camarões meio no ambiente, a criação de lambari passou a ser defendido pelo especialista como uma possibilidade de renda interessante para produtores da região.

Uma vantagem desse sistema é a do criador vender o peixe por unidade, não por quilo, o que favorece o estabelecimento na atividade dos pequenos aquicultores, principalmente no sistema alternativo de baixo custo.

“Se o produtor vender lambari por quilo, tem que trabalhar com viveiros grandes, escavados, onde são colocados centenas de milhares de lambaris. Vendendo por unidade, o produtor trabalha com tanques de recirculação de 8 a 10 mil litros, com cerca de 4 mil peixes por tanque”, pormenoriza.

Custo baixo

Tradicionalmente a piscicultura brasileira é feita no sistema semi-intensivo onde se cava um viveiro na terra com entrada e saída de água para renovação ininterrupta.
“Em virtude do aumento da preocupação com a escassez hídrica, no entanto, a aquicultura mundial está mudando para sistemas de recirculação, onde há troca zero de água”, pontua o especialista.

Esse sistema evita a entrada de patógenos e substâncias químicas, como defensivos, que podem estar presentes na água captada em rios, por exemplo.

Com o objetivo de tornar a atividade viável para produtores e comunidades de baixa renda, Henriques e sua equipe aperfeiçoaram métodos de criação já existentes.

O pesquisador elaborou um sistema de baixo custo, construído com materiais como papelão, lona plástica, madeira, bombinhas de aquário, redes de pesca usadas, baldes e tambores de plástico.

“Nosso intuito era mostrar que, numa densidade não muito elevada, a atividade é vantajosa para gerar renda para o pequeno produtor, que precisa ter um domínio total do processo para não haver mortalidade”, detalha.

Além dos benefícios ambientais, o projeto também traz retorno econômico para a região, pois movimenta toda uma cadeia produtiva (produtores, pequenos fornecedores de insumos, marinas, compradores das iscas e outros), fortalecendo a economia local.

O sistema vem sendo testado em cidades do litoral sul de São Paulo, com boa aceitação. “Um dos aquicultores ampliou o número de tanques e passou até mesmo a diversificar a produção, cultivando verduras com a água do sistema dos peixes (técnica denominada aquaponia)”, anima-se Henriques.

Com isso, o produtor sugeriu melhorias, como a colocação de coberturas sobre os tanques para diminuir a incidência direta dos raios solares, o que pode ocasionar mortandade dos peixes em regiões muito quentes.

Fonte: Pesca & Cia, 15 fevereiro 2021 (https://pescaecia.com.br/2021/02/15/metodo-mais-barato-de-criacao-de-lambari-para-isca-viva/)