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Metamáquina desenvolve impressora 3D de baixo custo, com hardware e software livres

Publicado em 30 agosto 2013

Pequena empresa de alta tecnologia localizada no histórico bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, a Metamáquina acaba de lançar a segunda versão de sua impressora 3D, que leva o mesmo nome da companhia e desde o ano passado – quando o primeiro modelo foi lançado – está causando um pequeno furor no mercado brasileiro de prototipagem.

Extremamente econômica e eficiente em termos de resolução, a Metamáqina 2 produz itens de plástico empregando um simples rolo de filamento de amido de milho ou petróleo. Compacta – tem somente cerca de 30 centímetros de altura – a impressora pode reproduzir qualquer desenho em plástico e permite ser operada através de softwares que exportem para o formato .STL, o que engloba a grande maioria dos softwares de modelagem e edição 3D.

A impressora usa hardware baseado na tecnologia Arduino (plataforma de prototipagem eletrônica) e também pode ser usada em praticamente qualquer sistema operacional (Windows, GNU/Linux ou MacOS, por exemplo).

O preço do aparelho é bastante em conta quando comparado ao de outros similares do mercado: ele custa apenas R$ 3,7 mil. O material de suporte – filamento de amido de milho ou petróleo – também não é caro. Fabricado pela Metamáquina em parceria com indústrias de plásticos, eles são vendidos separadamente por R$ 150 o quilo e têm aproveitamento de quase 100% do material.

Diante da primeira versão, que já foi retirada do mercado, a Metamáquina 2 é muito mais robusta, ágil e precisa. A estrutura da máquina passou a ser feita com corte a laser e o volume de impressão saltou para as medidas 20 cm x 20 cm x 15 cm, mais de duas vezes maiores do que no modelo anterior, permitindo a criação de peças de até 15 cm de altura.

De acordo com Guilherme Vaz, designer de produtos da Metamáquina, o grande diferencial da impressora é a sua diversidade de uso. “Por isto, estamos sendo procurados por arquitetos que pretendem criar de projetos em 3D, artesãos de joias e brinquedos e até por indústrias que querem economizar na prototipagem”, diz. Engenheiros, profissionais da saúde e universidades são outros clientes da empresa.

A capacidade da máquina de se “replicar”, produzindo peças para ela mesma, também está sendo aproveitada como exemplo pela indústria. Vaz cita o caso de uma fábrica de embalagens, que usou a Metamáquina 2 para produzir uma peça que necessitava para  um de seus equipamentos, em vez de adquiri-la no mercado.

Hardware livre – Uma típica empresa “startup”, a Metamáquina foi fundada por três estudantes da área de Ciências Exatas da Universidade de São Paulo (USP), Filipe Moura, Rodrigo Rodrigues da Silva e Felipe Sanches. Começou com uma campanha de financiamento coletivo (“crowdfunding”) na plataforma Catarse, que arrecadou R$ 30 mil (R$ 7 mil além do valor pretendido). Com este dinheiro, as primeiras unidades da impressora foram desenvolvidas e o projeto aperfeiçoado.

Mais do que empresários da área de inovação, os jovens também são ativistas em prol dos softwares e hardwares livres. Assim, para quem tiver interesse em desenvolver a sua própria Metamáquina – que foi inspirada em projetos consagrados da comunidade de hardware aberto – a startup disponibilizou o projeto gratuitamente na internet, que pode ser acessado através do site da empresa. Quem quiser, pode fazer suas próprias modificações no projeto, desde que mantenha a tecnologia livre.

Além dos sócios, a Metamáquina conta com cerca de uma dezena de profissionais, incluindo bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). São produzidas hoje cerca de dez impressoras por semana, mas a meta da empresa é de alcançar rapidamente 20 unidades semanais. A companhia tem hoje cinco salas disponíveis na sua sede da Barra Funda (começou com apenas uma), o que tornou possível a implantação de um processo de fabricação industrial em pequena escala – antes, o processo era quase artesanal.

A ideia é de também acelerar a criação de melhorias para o modelo, como aumentar a velocidade e a qualidade de impressão, e torná-lo capaz de imprimir com outros materiais. E um novo modelo já está em fase de pesquisa, para ser lançado provavelmente em meados de 2014. Os sócios também estão conversando com investidores em busca de financiamento para ampliar o negócio. (Alberto Mawakdiye)