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Metais pesados contaminam trechos do Tietê (1 notícias)

Publicado em 02 de dezembro de 2010

Um estudo realizado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP), de Piracicaba, descobriu a contaminação de diversos pontos do rio Tietê por metais pesados (como chumbo, cobre, cobalto). Essa foi a primeira pesquisa nesse sentido realizada no País. No reservatório de Nova Avanhandava, em Buritama, a situação é preocupante.

A quantidade de cobalto, por exemplo, está dez vezes maior do que o limite estabelecido pelos parâmetros de comparação utilizados. A concentração de cromo está quase nove vezes acima do limite. Outro metal que preocupou o coordenador da pesquisa, Jefferson Mortatti, é o cobre. "Esses são metais pesados, que se atingirem o homem podem causar muitos problemas", afirma.

O estudo, que durou dois anos e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), analisou sedimento de fundo do rio Tietê desde a nascente, localizada em Salesópolis, até à foz, que fica no reservatório de Três Irmãos, em Pereira Barreto. Ao todo, foram analisados 12 pontos do rio. "É importante deixar claro que não é a água do rio que está poluída.

Nós só estudamos o sedimento", diz Mortatti. Segundo ele, a água pode estar contaminada, mas isso deve ser analisado por outros pesquisadores. A maior preocupação dos cientistas é que o metal pesado que está sedimentado no leito do rio entre para a cadeia alimentar. "Esses sedimentos contaminados se misturam a algas e lodo, que são ingeridos por microorganismos e até pequenos animais - como peixes. Assim, esse metal entra na cadeia alimentar", afirma o coordenador da pesquisa.

"Esses metais não são eliminados rapidamente e tendem a se acumular no pâncreas, fígado e sistema nervoso dos animais. Dependendo da colocação desse animal na cadeia alimentar, quando chega ao homem, a concentração está muito acima dos limites de tolerância do organismo, causando diversas doenças e até câncer", explica o biólogo especialista em questões relacionadas à água, Samir Felício Barcha.

Esgoto doméstico

Para Mortatti, o grande culpado pela contaminação do rio é o esgoto doméstico. "Esgoto doméstico não tratado é a primeira possibilidade para a alta concentração de metais pesados nessa região do rio. Não que seja o real culpado, é uma possibilidade que precisa ser estudada." Barcha discorda de Mortatti. "O esgoto sanitário é o menos importante nesse caso. Os resíduos industriais são os maiores vilões, porque têm alta concentração de metais pesados mal tratados, e mesmo quando são tratados ainda se acumulam nos leitos dos rios."

Para os pesquisadores, a situação não pode ser modificada. "Agora já está contaminado. O que se pode fazer é não aumentar essa concentração", diz Mortatti. O especialista em questões relacionadas à água acredita que a legislação vigente não leva em consideração o acúmulo desses resíduos. "A legislação estabelece o máximo permitido, mas não leva em conta o fenômeno da bioacumulação, que acontece nos animais e no rio. Ao longo da cadeia alimentar, a concentração desses metais pesados vai aumentando. A falta de um controle rigoroso nos efluentes dos rios piora a situação", diz Barcha.