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Gazeta de Pinheiros

Metade da poluição de São Paulo é causada por ônibus e caminhões

Publicado em 30 novembro 2018

A estação medidora de Pinheiros vem marcando, nos últimos anos, índices de poluição bem acima acima de 50 mg/m³, recomendados pela OMS- Organização Mundial da Saúde. Para se ter ideia, no último dia 28, o índice de qualidade do ar estava em 114 mg/m³ ou seja, ar pouco saudável. Até o fechamento dessa edição, os índices de Santo Amaro e Interlagos se mostravam moderados, com 65 mg/m³,

O nível moderado é considerado aceitável, porém com poluentes e, por isso, pode trazer preocupações para as pessoas. Crianças e pessoas com doenças respiratórias exigem atenção.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) calcularam o efeito dos veículos na poluição do ar, chegando à conclusão de que “veículos movidos a diesel, como caminhões e ônibus, são responsáveis por cerca da metade da concentração de compostos tóxicos na atmosfera”.

Em entrevista à Agência Fapesp, Paulo Artaxo informou que “a estimativa da emissão de poluentes de cada tipo de veículo é geralmente baseada em valores medidos em laboratório e multiplicados pelo número de veículos nas ruas”. Segundo os dados, a Região Metropolitana de São Paulo tem mais de 7 milhões de veículos, sendo que ônibus e caminhões representam somente 5% da frota veicular.

Na Região Metropolitana há 100 veículos de passageiros para cada ônibus e 30 para cada caminhão. Em 2013, ano em que foram feitas as medidas usadas no estudo, o consumo médio por veículos de passageiros era de 55% de gasolina para 45% de etanol. A mistura de gasolina e etanol é usada basicamente por veículos leves, sejam do tipo flex ou dos que usam um dos dois combustíveis. Outros estudos ao redor do mundo têm investigado o papel de biocombustíveis como o etanol na redução da emissão de poluentes.

“Pelos resultados obtidos, certamente uma redução do uso de veículos na cidade de São Paulo, aliada à expansão da linha de metrô, por exemplo, é o primeiro e mais eficaz modo de minimizar a poluição. Um ótimo custo-benefício também pode ser obtido diminuindo as emissões de poluentes pelos ônibus”, disse o líder do estudo, Joel Ferreira de Brito, à Fapesp.

O pesquisador ressalta que existem filtros que eliminam 95% das emissões de ônibus, “e é muito importante que essas novas tecnologias, disponíveis e baratas, sejam efetivamente implementadas em São Paulo e nas grandes cidades brasileiras”.

Esses resultados foram obtidos durante três meses de medição no centro de São Paulo, na primavera, período relativamente chuvoso e de pouca poluição. “Outros estudos mais extensos, inclusive no inverno, com acúmulo de poluentes na atmosfera, devem ampliar nossa compreensão do impacto dos veículos na atmosfera de São Paulo e na população”, disse.

O diesel é altamente poluente. O combustível produz dióxido de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio. A capital concentra um grande número de caminhões e ônibus (movidos a diesel) que circulam diariamente, emitindo substâncias danosas à saúde humana.

Inspeção

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) aguarda decisão do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) sobre a Resolução Nº 716, que estabelece a obrigatoriedade da inspeção técnica veicular (ITV) em território nacional até 31 de dezembro de 2019, suspensa em abril deste ano.

Segundo matéria da Folha de São Paulo, a estação medidora de Pinheiros marcou, entre 200 e 2015, índices acima de 50 mg/m³. Estes números estão acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Versão anterior

A antiga inspeção veicular foi implantada pela gestão Gilberto Kassab, em 2008. Cinco anos depois, o prefeito Fernando Haddad encerrou o contrato com a empresa Controlar, responsável pela vistoria. Suspeitas de irregularidades na formalização do contrato com a Prefeitura motivaram a iniciativa da última administração.

O modelo anterior de verificação dos automóveis foi contestado pelo Ministério Público Estadual por possíveis favorecimentos à Controlar. Isso porque o ex-prefeito Gilberto Kassab teria utilizado um contrato firmado em 1996 – durante a gestão Paulo Maluf – e transferido R$ 2,5 milhões à empresa a partir do caixa municipal, sob o argumento de isentar veículos que haviam passado pela vistoria.

Em setembro deste ano, o Superior Tribunal Federal (STF) arquivou o processo, já que Kassab ocupa o cargo de ministro das Ciências, Tecnologia e Comunicações, e tem foro privilegiado.

Projeto de Lei

Na Câmara de Vereadores de São Paulo tramita um Projeto de Lei que busca diminuir esses efeitos na cidade. Com o principal objetivo de amenizar os efeitos nocivos da poluição, o Projeto de Lei (PL) 643/2017 propõe que a partir do ano 2023, seja proibida a circulação de veículos movidos a diesel. A proposta abrange carros de passeio, utilitários mistos, além de veículos de transporte pequenos, como vans e micro-ônibus. Em 2025, a restrição vai abranger também os veículos de transporte de grande porte fabricados antes de 2009.

Na justificativa do projeto, o vereador Antônio Donato (PT) explicou que a medida vem sendo implantada em países do primeiro mundo, preocupados com a sustentabilidade ambiental. “Cidades como Madri, Paris, Cidade do México, Oslo, Berlim, Londres entre outras, já anunciaram severas restrições ao uso de veículos a diesel. São Paulo deve seguir a mesma linha e prezar pela qualidade de vida de seus cidadãos”, disse. O PL já tramitou pelas Comissões e foi aprovado em 1ª votação na Sessão Plenária. Caso também receba parecer favorável da maioria dos vereadores em 2ª votação, ele seguirá para a sanção do prefeito.