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Engenharia Automotiva

Mestrado Profissional em Engenharia Automotiva

Publicado em 01 agosto 2007

A SAE BRASIL está disponibilizando um curso de Mestrado Profissional em Engenharia Automotiva (MPEA) p a área da mobilidade. Um grupo de engenheiros colaboradores sugeriu soluções como aumento da capacidade técnica, redução do tempo de formação e desenvolvimento de temas ligados às necessidades das indústrias.

Após quatro anos de trabalhos intensos surge o Mestrado Profissional em Engenharia Automotiva SAE BRASIL Unicamp-ITA, apresentado oficialmente, em meados de março, no Hilton Morumbi, em São Paulo, SP.

Estavam presentes Paulo Coelho Bedran, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Sérgio Queiroz, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo; Teresa

Dib Zambon Atvars, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Fernando Rizzo, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Ciência, Tecnologia e Inovação (CGEE), do Ministério de Ciência e Tecnologia; e Carlos Henrique de Brito Cruz, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Acompanharam o evento cerca de cem pessoas"da maior expressão na cadeia da mobilidade, autoridades e entidades que nos ajudaram a concretizar esse nosso mestrado", declarou na abertura o presidente da SAE BRASIL, Vilmar Fistarol.


Melhorias na Formação

Teresa Atvars abriu o encontro, que foi conduzido por Otacílio Gomes Jr., da SAE BRASIL. O novo curso "é importante e inovador porque atende à demanda de um setor amplo da sociedade, de uma cadeia complexa com a qual a universidade tinha alguma experiência, mas não a conhecia no seu conjunto e na sua profundidade", declarou.

Carlos Henrique de Brito Cruz abordou a perspectiva do Brasil diante da inovação, a capacidade de criar conhecimento e usá-lo para gerar tecnologia, pro dutos e processos. O Brasil desenvolveu capacidade de pesquisa acadêmica competitiva em qualquer referencial internacional. Por outro lado, há empresas que realizam pequenas atividades de pesquisas, "comparando-se com outros países que competem conosco. E isso gera limites na interação universidade empresa para fazer pesquisa e criar conhecimento", declarou.

O MPEA se propõe a suprir tais deficiências e aproximar universidade e empresa. "Esse programa inova porque está trazendo uma proposta, uma vez que não existem mestrados feitos hoje dessa forma, de maneira estruturada" comentou Fernando Rizzo, do CGEE, em sua explanação.

Em nome do governador José Serra, o secretário de Assuntos  Universitários, José Aristodemo Pinotti, disse que aprova o programa e  promete: "Uma das funções da Secretaria é apoiar esse tipo de integração. Só assim é que vamos transformar ciência em riqueza e riqueza em qualidade de vida".

Numa sociedade globalizada e competitiva como a nossa, o ciclo de formação de engenheiros, de chegada do produto e de produção da engenharia têm que ser abreviados e o custo, reduzido. "Só dá para fazer isso com tecnologia. E o mestrado tem a pretensão de reduzir os custos e o tempo de formação do engenheiro e dar mais competitividade para a indústria", comentou José Luís Albertin, um dos responsáveis pelo curso na SAE BRASIL.

O programa foi elaborado por engenheiros da indústria e professores das universidades envolvidas. Mais de 85 pessoas, mais de 12 universidades, mais de 35 empresas opinaram sobre o que seria necessário para complementar a formação do engenheiro e o País ganhar competitividade. Com base nesses resultados, foram selecionadas áreas consideradas prioritárias, como Motores, Materiais, Dinâmica Veicular, Eletrônica Embarcada, Estruturas, Projetos e Manufatura.

O curso será iniciado oficialmente no segundo semestre de 2007, com quatro áreas de concentração: Materiais, Motores, Dinâmica Veicular e Eletrônica Embarcada. As demais áreas estarão disponíveis a partir de 2008.

Para o ingresso ao MPEA, o candidato precisa ter diploma em engenharia ou curso superior em ciências tecnológicas, como Física ou Química. Deve ter perfil técnico adequado e participar de algum projeto que envolva tecnologia em empresa do setor automobilístico. E, claro, que a empresa o apóie para cursar as disciplinas e fazer a dissertação. O orientador do mestrado tradicional, normalmente, é um acadêmico. No MPEA, o aluno poderá, adicionalmente, contar com um orientador da sua empresa.


Boas perspectivas

"Nossa proposta é que o mestrado seja reconhecido pelo MEC e regulado através de uma lei sobre mestrado profissional. É mestrado strito sensu, e terá avaliação periódica da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Isso significa que há uma terceira parte, isenta, avaliando esse trabalho", comentou Albertin.

Parceiros nesse trabalho, a Unicamp e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), são escolas cujos cursos normais de mestrado foram recentemente avaliados pela Capes com grau máximo.

Por comum acordo, o MPEA vai ficar sediado na Unicamp e sua Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) fará a coordenação tanto do curso (com aulas semanais, às sextas-feiras e aos sábado) como da Comissão Pedagógica.

Farão parte dessa comissão, além do coordenador do FEM, um docente de cada uma das unidades envolvidas:

FEM, Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC), Instituto de Química (IQ); e do ITA, bem como um convidado das indústrias e da SAE BRASIL.

Alguns conteúdos do programa serão ministrados em sala de aula, outros em laboratórios e em trabalho de grupo. Haverá, ainda, a possibilidade de estudar fora do Brasil, sob a orientação de especialistas.

O plano de pós-graduação abrange o qüinqüênio 2005-2010. E quer promo ver maior competitividade nas áreas de educação, ciência e tecnologia. Uma das metas é duplicar o tamanho das engenharias do País em termos de recursos humanos em pós-graduação, disse Kátia Lucchesi Dedini, da Unicamp.

A Microsoft também vai dar apoio ao MPEA, bem como a workshops técnicos e outras atividades que a associação costuma realizar, informou o diretor de Inovação, Galileu Vieira.

O curso terá a duração de no míni mo dois anos e no máximo, dois anos e meio. Para concluir, o aluno fará uma dissertação que ofereça algum resulta do prático para a empresa. "O investimento é algo em torno de 50 mil reais", informou Albertin.

Vilmar Fistarol reconheceu o avanço da SAE BRASIL com o lançamento do MPEA. "A partir dos primeiros frutos, o mestrado profissional vai gerar uma enorme capilaridade, não só nas quatro áreas de atuação, mas em todas as áreas", concluiu.