Notícia

Jornal do Brasil

Mercado europeu sofre um novo ataque

Publicado em 23 abril 1996

Por Kido Guerra - Correspondente
BRUXELAS - Os efeitos da histeria que contaminou a Europa a partir das suspeitas de associação entre a doença da vaca louca (encefalopatra espongiforme bovina) e o Mal de Creutzfeld-Jacob - que faz o cérebro humano ficar como uma massa esponjosa - começam a atingir outros produtos além da carne bovina e derivados. Já estão sob suspeita todos os produtos que sofreram manipulação genética. A dúvida em relação aos efeitos desses produtos para a saúde humana, especialmente para o sistema imunológico, é o que está motivando o pedido de suspensão de sua entrada em território europeu. A campanha é movida pelos deputados verdes do Parlamento Europeu, que estão querendo impedir a autorização de comercialização nos países da União Européia de novos produtos desenvolvidos pela engenharia genética (em geral criados para aumentar a produtividade da indústria agroalimentar), enquanto não houver certeza de que não são nocivos à saúde. O assunto é polêmico, especialmente as vésperas da redefinição da política européia sobre a importação desses produtos, como tomates menos perecíveis, maiores e mais firmes, ou leite em pó para bebês prematuros semelhante ao leite materno, além de bananas com sabor de maçã e batatas que não escurecem depois de descascadas. Os europarlamentares verdes, além das bancadas suecas, dinamarquesas, alemãs e austríacas, dizem que as regras esboçadas até agora para a abertura do mercado a tais produtos não protegem devidamente o consumidor e atendem apenas os interesses da indústria agroalimentar. Eles querem que haja rótulos nas embalagens dos produtos geneticamente manipulados, advertindo aos consumidores que eles são resultantes de manipulação genética. Eles esperam com essa medida reduzir o interesse do consumidor em relação a esses produtos e, assim, forçar a indústria a avaliar melhor as conseqüências da manipulação genética para o homem.