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Mercado de trabalho melhora em 2007, mas abaixo dos anos 90

Publicado em 18 setembro 2008

Agência FAPESP

Rio  - O mercado de trabalho continuou a avançar no País em 2007, mas muitos indicadores não alcançaram ainda os resultados registrados na década de 90.  A taxa de desemprego apurada em nível nacional pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) relativa ao ano passado mostra que, em 2007, a taxa de desemprego foi de 8,2%, ante 8,4% em 2006.  Embora a taxa de desemprego do ano passado seja a menor desde 1997 (7,8%), ainda é superior a todas as taxas apuradas pelo IBGE de 1992 a 1997.

O rendimento médio do trabalhador brasileiro aumentou em 2007 pelo terceiro ano, com alta de 3,2% frente a 2006, mas ainda não recuperou as perdas acumuladas nos últimos dez anos e está 5% abaixo do nível de 1997.  Apesar dos ganhos ocorridos entre 2004 (R$ 831) e 2007 (R$ 960), a renda média mensal real dos ocupados não retornou ainda o patamar de R$ 1.011,00, em 1997.  O avanço de 3,2% foi menor que o observado em 2006 (de 7,5% ante 2005) e em 2005 (de 4,5% frente a 2004).  "Isso pode estar relacionado com o aumento menor do salário mínimo em 2007", explicou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.

"Os resultados da Pnad mostram que o patamar de rendimento médio real de 1997 ainda não foi retornado, embora tenha ocorrido ganho, especialmente entre 2004 e 2007", informou o IBGE em relatório.  Segundo o IBGE, desde 2004 a renda do trabalhador brasileiro ocupado acumula crescimento de 15,6%.

A alta do rendimento contribuiu para que o país registrasse em 2007 mais um pequeno avanço no índice de Gini, parâmetro internacional para avaliar as condições de vida da população.  O indicador passou de 0,540 em 2006 para 0,528 em 2007.  Quanto mais próximo de zero, melhor é a condição de vida de um cidadão.  Em 2004, o Gini era de 0,547 e em 2005, de 0,543.

Apesar da melhora, a concentração de renda no país permaneceu bastante aguda no ano passado, segundo a pesquisa.  "Os avanços mencionados, apesar de persistentes, são de baixo impacto no que se refere aos rendimentos mais baixos e mais elevados", avaliou o documento.

"A despeito da redução do Gini, se verificou que, em 2007, os 10% da população ocupada com mais baixos rendimentos detiveram 1,1% dos rendimentos do trabalho, enquanto aos 10% com os maiores rendimentos corresponderam 43,2% do total das remunerações", acrescentou o relatório.  Esse comportamento se mostrou praticamente inalterado em relação aos anos anteriores.

O IBGE mostrou ainda melhora na escolarização, no acesso a serviços públicos e na aquisição de bens duráveis de 2006 para 2007.  A taxa de analfabetismo de um ano para o outro caiu de 10,4 para 9,9 por cento da população, mas 14,1 milhões de brasileiros não sabiam ler e escrever no ano passado.  De acordo com o IBGE, em 1992 esse percentual atingia 17,2 por cento da população.

Nível de ocupação

Segundo os dados da série histórica harmonizada da pesquisa (que excluem a área rural dos Estados da região Norte), de 1996 a 2007, o nível de ocupação (porcentual dos ocupados na população com 10 anos ou mais de idade) passou de 55,1% para 56,9%, "mostrando uma recuperação nos últimos anos, mas não alcançando os porcentuais do início da década de 1990" (em torno de 57,5% até 1995).

O emprego com carteira bateu recorde ao avançar 6,1% em relação a 2006 sendo que no Nordeste a formalização avançou 8,5%.  O emprego com carteira de trabalho atingiu 35,3% da população ocupada depois de ficar em 33,8% em 2006 e 33,1% em 2005.

O emprego sem carteira encolheu 0,7% em 2007 e o trabalho por conta própria subiu 1,5% frente a 2006.  O trabalho infantil no Brasil também diminuiu entre 2006 e 2007, ao passar de 5,1 milhões para 4,8 milhões de brasileiros com idade entre 5 e 17 anos.

A Pnad 2007 investigou cerca de 400 mil pessoas em quase 148 mil domicílios por todo o País a respeito de sete temas: dados gerais da população, migração, educação, trabalho, família, domicílios e rendimento.  A Pnad é base para cálculo de importantes indicadores do IBGE, como por exemplo o IPCA, índice que baliza a inflação oficial do País.  A pesquisa também é considerada fundamental por analistas econômicos para avaliar a evolução do quadro social do Brasil.