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Mercado brasileiro de TI crescerá três vezes mais que mundial, diz MCT

Publicado em 20 dezembro 2007

Por Redação do IDG Now!

Apesar do potencial de expansão, cada vez menos jovens se interessam pelo setor, diz presidente da Sociedade Brasileira de Computação.

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) estima o crescimento da área de tecnologia da informação (TI) no país em 10% ao ano na próxima década, contra 3% no resto do mundo. Apesar de todo o potencial de expansão, cada vez menos jovens se interessam pelo setor, que já carece de profissionais qualificados.

A constatação foi feita por José Carlos Maldonado, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), na terça-feira (18/12), durante o seminário Pensa TICs 2007 — Rumo à estratégia nacional em TICs, promovido em São Paulo pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

De acordo com Maldonado, que é professor do Departamento de Ciências da Computação e Estatística da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, a formação de recursos humanos está entre as principais preocupações da SBC. O MCT estima que o setor, a médio prazo, terá um déficit de 3 milhões de profissionais.

Apesar do esvaziamento nos cursos de graduação, o Brasil tem hoje 51 programas e 66 cursos de pós-graduação na área de ciência da computação, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação. De acordo com Maldonado, a cifra indica um crescimento de 200% nos últimos dez anos.

"O problema é que o decréscimo na demanda pelos cursos de graduação se reflete também na pós. Alguns cursos de mestrado estão prestes a fechar as portas por falta de demanda", disse o professor, que também é um dos coordenadores da área de computação na Fapesp.

Embora a pós-graduação tenha crescido expressivamente, o Brasil forma apenas cerca de cem doutores por ano na área de TI. "Não me parece um número razoável. O quadro piora quando constatamos que esses poucos doutores se concentram fortemente em poucos estados. O resultado é que, na graduação, há poucos professores com doutorado, o que resulta em cursos de pouca qualidade", afirmou.

A SBC identificou a necessidade de uma ação política e educacional ampla, capaz de restituir o interesse no setor. Segundo Maldonado, a área de TI tem potencial social imenso e papel fundamental na economia, inclusive por renovar outros setores tradicionais.

"Nosso papel é mostrar aos jovens que a área tem diversas oportunidades — ninguém está sem emprego em TI — e que, além disso, ela tem uma profunda relevância social", disse.

O setor é considerado estratégico dentro do plano de ação do Ministério da Ciência e Tecnologia para o período 2007-2010, conhecido como PAC da C&T. "A formação de recursos humanos é uma das prioridades. Precisamos estudar agora que medidas efetivas podem ser tomadas", afirmou Maldonado.

Para Claudio de Almeida Loural, gerente de planejamento e inovação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), as políticas públicas em TI deveriam ser formuladas com base nos objetivos estratégicos de cada país. "É impossível fazer uma simples transposição da experiência internacional para o caso brasileiro", apontou.

Loural apresentou, durante o seminário, uma comparação entre as diferentes estratégias nacionais praticadas no Japão, na Coréia do Sul e no Chile, a fim de avaliar a possibilidade de identificar comportamentos gerais que possam inspirar uma estratégia nacional brasileira.

"O Japão e a Coréia do Sul são paradigmas de políticas de TI bem-sucedidas. Ambos têm sistemas de inovação sofisticados e articulação instituicional muito sólida, além de histórico de interação entre governo, setor privado e sociedade. Mesmo assim, os objetivos são muito distintos", disse.

Segundo ele, a Coréia do Sul optou por um objetivo precisamente quantificado em suas estratégias: desenvolver, por meio do setor de TI, caminhos para elevar o patamar do PIB per capita para 20 mil dólares. "Para isso, a estratégia foi focada na inovação em uma série definida de serviços e produtos, impulsionando exportações e desenvolvimento tecnológico", disse.

Enquanto isso, a estratégia do Japão foi traçada com foco na disseminação do uso dos produtos e serviços de TI, de forma a intensificar seu uso e renovar setores tradicionais da economia, como a construção civil, por exemplo.

"Os japoneses optaram por disseminar uma infra-estrutura de banda larga, diminuindo a exclusão digital. E intensificaram o uso das tecnologias de informação com foco na solução de problemas sociais, com uma meta de fazer com que 80% das pessoas considerem as TI importantes no cotidiano", disse.

Já no Chile, as estratégias, que estão em processo de desenvolvimento, foram voltadas especialmente para aumentar a competitividade das empresas pelo uso de TI, tornando o país atraente para offshoring (deslocamento de processos de negócios de um país a outro).

Além disso, houve ênfase no desenvolvimento de tecnologias de governança digital. "A experiência traumática do Chile com a ditadura criou essa demanda de transparência proporcionada pelo e-gov", disse Loural.

Segundo ele, cada país traçou suas políticas públicas de TI com base em seus objetivos estratégicos econômicos e sociais, levando em conta seus desafios já superados em termos institucionais e tecnológicos. "Nossa questão agora é saber qual o objetivo nacional a ser vencido a partir de uma estratégia de TI no Brasil", concluiu.

*Com informações da Agência Fapesp.