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Mercado avança na direção da biomassa de etanol celulósico

Publicado em 08 janeiro 2014

08/01/2014 – O mercado sinaliza que as primeiras plantas industriais de produção de etanol de segunda geração devem entrar em operação no Brasil a partir deste ano, em escala comercial ou de demonstração de tecnologia. A expectativa, segundo especialistas, é que produzam de 3 a 82 milhões de litros de combustível por ano, colocando à prova os esforços dos cientistas de todo o globo para desenvolver um processo eficiente de quebra da biomassa em açúcares capazes de serem fermentados em etanol.

Os principais desafios científicos e tecnológicos da produção em escala do etanol celulósico foram tema de workshop - promovido recentemente -  pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas: o Second Generation Bioethanol 2013: Enzymatic Hydrolysis. Apoiado pela Fapesp, o evento reuniu mais de 130 profissionais para debater temas como hidrólise enzimática, relações entre estrutura e função de enzimas, aspectos relacionados a bioprocessos, metagenômica aplicada a biocombustíveis, produção de proteínas, transdução de sinal em fungos filamentosos, fermentação de pentoses por leveduras, evolução molecular de enzimas e novas fontes de energia.

Durante o evento, profissionais renomados mostraram que os grandes gargalos do setor continuam sendo o alto custo e a baixa eficiência dos coquetéis enzimáticos, este último causado por diversos inibidores da reação. Os próprios componentes da biomassa interferem na reação de hidrólise.

“O bagaço de cana é um material muito heterogêneo, contempla celulose, hemicelulose e lignina, um composto que transpassa a fibra e inibe a atividade enzimática”, disse André Ferraz, pesquisador da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (USP).

Apesar da complexidade do processo, avanços significativos foram obtidos nos últimos anos. Neil Brown, pesquisador da USP de Ribeirão Preto, destacou o aumento considerável de dados genômicos ligados a microrganismos que secretam enzimas com potencial para degradar a biomassa, assim como a ampliação do conhecimento sobre sistemas de ação relacionados à produção dessas enzimas e o uso em larga escala de abordagens “ômicas”, como metagenômica e proteômica.

“Para continuar a avançar nas pesquisas, precisamos de sistemas de biologia computacional que combinem dados dessas diversas abordagens em modelos que contribuam para a criação de sistemas enzimáticos mais eficazes. No Reino Unido, quem trabalha com bioinformática atualmente possui uma longa lista de cientistas desejando a sua atenção”, comentou Brown.

Na área de genômica, Igor Grigoriev, do DOE Joint Genome Institute, dos Estados Unidos, abordou o projeto 1000 Fungal Genome. A iniciativa agrega diversas instituições norte-americanas em torno do sequenciamento de 1000 espécies de fungos até 2016. Esses microrganismos são os principais secretores de enzimas que degradam a biomassa em açúcares que podem ser utilizados para a produção de biocombustíveis e outros produtos de alto valor agregado.

Fonte: Planeta Universitário/Adaptado por CeluloseOnline