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Jornal da Paraíba online

Mentes pensantes das HQs

Publicado em 20 setembro 2009

Por Renato Félix

O Seminário Paraibano de Quadrinhos trouxe a João Pessoa esta semana dois importantes nomes da área na América do Sul: o mineiro Edgar Franco, que tem desenvolvido um trabalho de pesquisa na universidade sobre as HQtrônicas, e o argentino Cristian Mallea, do grupo La Productora. O JORNAL DA PARAÍBA conversou com os dois sobre o mercado de quadrinhos atual e as possibilidades para o futuro da nona arte.

Mallea conta que os anos 90 foram muito duros para as histórias em quadrinhos na Argentina. "As editoras que publicavam quadrinhofs fechavam e hoje só saem mangás e super-heróis americanos", conta ele. "Mas hoje algumas editoras do interior voltaram a publicar HQs".

Por muito tempo, os brasileiros só conheciam Quino e sua Mafalda, quando se trata de quadrinhos argentinos. Hoje, já há álbuns publicados como Mulheres Alteradas, de Maitena, ou Macanudo, de Liniers, além de Che, com texto de Hector G. Oesterheld e desenhos de Alberto e Enrique Breccia.

"Quino é um ícone, mas nos anos 30, a historieta séria era conhecida também aqui, como Cisco Kid, de José Luís Salinas", lembra. "Alex Raymond (Flash Gordon) e Hal Forster (Príncipe Valente) o achavam o maior desenhista do mundo".

Mas a história da HQ argentina anda esquecida no próprio país. "Todo esse acervo cultural deixou de ser conhecido em meu próprio país", conta Mallea. Os jovens desenhistas tiveram que se organizar para publicar os próprios trabalhos: assim nasceu La Productora. "Éramos 18 ou 20 jovens e decidimos montar uma editora o mais profissional possível", diz.

Mallea a define como uma "autoeditora". Hoje, com seis integrantes, ela publica trabalhos dos próprios membros, além de organizar cursos de HQ, trabalhar com ilustração de livros didáticos, trabalhos para editoras americanas e colaborações com outras editoras-cooperativas semelhantes.

Franco também produz de maneira alternativa, com trabalhos publicados pela paraibana Marca de Fantasia, de Henrique Magalhães. Nos meios acadêmicos, centrou foco no que chamou de HQtrônica: não só quadrinhos desenvolvidos para a internet, mas uma linguagem híbrida que usa também os recursos possibilitados pela rede.

"HQtrônica não é melhor nem pior que quadrinho em suporte de papel, são duas coisas completamente diferentes", afirma. "A primeira vez que vi isso foi em 1997 e fiquei muito impressionado com a possibilidade de você incorporar no quadrinho tradicional uma animação".

Ele mapou mais de 300 sites durante a pesquisa para o mestrado na Unicamp e a pesquisa rendeu um livro: HQtrônicas - Do Suporte Papel à Rede Internet (Annablume/ Fapesp), cuja primeira edição é de 2005 e que inclui um CD com duas HQtrônicas de Franco.

Mas Edgar Franco continua produzindo também quadrinhos em suporte de papel e acha que uma mídia não é uma substituição da outra. Sua série Artlectos e Pós-Humanos ganhou um terceiro número pela Marca de Fantasia. Além do trabalho como professor na Universidade Federal de Goiás e como compositor, com o Posthuman Tantra.