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Menos sono, menos sexo

Publicado em 17 setembro 2010

Disfunção erétil, obesidade, diabetes, estresse e maior suscetibilidade para contrair doenças são alguns dos problemas que podem ser causados por distúrbios de sono. Estima-se que um terço da população brasileira tenha algum problema para dormir adequadamente. Estudar os efeitos da privação de sono tem sido, desde 1995, o foco da pesquisa de Monica Andersen, professora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Integrante do Centro de Estudos do Sono/Instituto do Sono, ela coordena um trabalho de investigação dos efeitos da privação e da restrição de sono na função reprodutiva. Abaixo, a especialista aponta alguns dos achados de seus estudos.

Horas de sono: A média são oito horas diárias, mas uma pessoa pode ficar bem com quatro horas, enquanto outra precisará de dez. Chamamos os extremos de "pequenos dormidores" e "grandes dormidores".

Sinais de uma noite bem dormida: Quem acorda abrindo a janela, de bom humor, dormiu a quantidade de que precisava. Quem acorda já cansado, com a sensação de que um caminhão passou por cima, não teve um sono suficiente ou reparador.

Quantidade de horas dormidas: Nossa sociedade é cronicamente privada de sono. Há uma denominação nos Estados Unidos que é sintomática, da "sociedade 24 por 7", isto é, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Queremos fazer tudo e tentamos encaixar em nosso dia e quem paga por tudo isso é o sono. Por que simplesmente não vamos dormir e deixamos as tarefas para o dia seguinte?

Consequências: Um deles é o acúmulo de gordura em nosso corpo. A privação de sono aumenta o apetite por comidas calóricas, estimula o hormônio da fome (grelina) e reduz o hormônio da saciedade (leptina). Pouco sono também afeta o desempenho no trabalho ou estudo e provoca pequenos deslizes que afetam nosso rendimento.

Jovens - É uma faixa etária que terá dificuldade de aprendizagem, porque o sono é fundamental ao aprendizado e à memória. Muitos acabam dormindo na escola ou nas universidades, em plena sala de aula.

Desempenho sexual - Essa é a minha principal linha de pesquisa. O que observamos até agora em ratos é que uma privação de sono pontual provoca uma excitação sexual nos machos. No entanto, apesar de apresentarem desejo, pois os ratos chegam a montar a fêmea, eles não conseguem fazer a penetração. Em outras palavras, eles têm desejo, mas não têm a função erétil adequada.

Sexo e apneia - O questionário respondido durante o Episono revelou que 17% dos homens se queixaram de disfunção erétil. Acima de 60 anos, a reclamação subiu para 60%. O levantamento mostrou que quem tinha menos sono tinha maior probabilidade de ter queixas de disfunção erétil. Os homens que acordam muito durante a noite eram os que mais reclamam do problema.

Homens - Normalmente, os homens com bom padrão de sono não apresentaram queixa. Uma das conclusões é que quem dorme mal tem risco três vezes maior de apresentar disfunção erétil. Uma das causas é que a privação de sono reduz a testosterona, o hormônio sexual masculino.

Mulheres - Fizemos testes de privação de sono em animais e observamos que, quando elas são privadas de sono em fases nas quais estão receptivas para o sexo, o desejo sexual aumenta muito. Por outro lado, quando a privação de sono foi imposta em fases nas quais a fêmea não estava disposta ao acasalamento, equivalentes à tensão pré-menstrual da mulher, a rejeição ao macho aumentou bastante. Estamos investigando se a privação de sono pode afetar a reprodução nas mulheres.

Fonte: Fapesp