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Menos sono, mais resfriado

Publicado em 24 janeiro 2009

Artigo aponta que quem dorme pouco tem maiores chances de contrair resfriado e de desenvolver problemas associados à infecção

Pessoas que dormem menos de sete horas por noite têm risco três vezes maior de desenvolver doenças respiratórias após terem contraído resfriado do que aqueles com oito horas ou mais de sono. A afirmação é de um estudo publicado nos Archives of Internal Medicine.

Estudos anteriores apontaram, entre outras relações, que a privação de sono afeta determinadas funções imunes e que indivíduos que dormem bem têm menores taxas de problemas cardíacos. Mas havia pouca evidência direta de que a falta de sono poderia estar associada com a menor resistência a contrair gripes e resfriados.

Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie Mellon, e colegas analisaram 153 homens e mulheres saudáveis, com idade média de 37 anos, entre 2000 e 2004. Cada participante foi avaliado diariamente durante um período de duas semanas, de modo a verificar quantas horas dormiam por noite, qual a porcentagem do tempo passado na cama correspondeu ao período dormido (eficiência do sono) e se sentiam descansados pela manhã.

Os voluntários foram colocados em quarentena e receberam doses nasais contendo um vírus causador do resfriado comum. Nos cinco dias seguintes, os participantes descreveram sinais e sintomas da doença e tiverem amostras do muco nasal colhidas para análise. Cerca de um mês depois, passaram por uma coleta de sangue para o teste de respostas de anticorpos contra a infecção promovida pelo vírus.

De acordo com os resultados, quanto menos os participantes dormiram, mais propensos estiveram a desenvolver resfriado. Aqueles que dormiram menos de 92% do tempo passado em cama tiveram cinco vezes e meia mais chance de adoecer do que os que dormiram 98% do tempo. Não se verificou associação da sensação de descanso após o período de sono com resfriados.

Resultados

“Que mecanismos podem associar o sono com a suscetibilidade a resfriados? Quando os componentes de doenças clínicas (infecções e sinais ou sintomas) foram examinados separadamente, a eficiência do sono - mas não a duração - mostrou-se associada com sinais e sintomas de doença. Entretanto, não se verificou associação com a infecção”, destacaram os autores.

Segundo eles, uma possível explicação dos resultados é que os distúrbios de sono podem influenciar a regulação de citocinas pró-inflamatórias, de histaminas e de outros mediadores de sintomas que são liberados como resposta a infecções. (Agência Fapesp)

O artigo Sleep habits and susceptibility to the common cold, de Sheldon Cohen e outros, pode ser lido por assinantes dos Archives of Internal Medicine em www.plosone.org.