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Correio da Paraíba online

Memórias de futuro

Publicado em 23 novembro 2008

São Paulo (Agência Fapesp) - Uma memória eletrônica que guarda a informação mesmo desconectada de uma fonte de energia, utilizada em chips de cartões inteligentes (smart cards) em bilhetes de transporte público, celulares, TV digital e transações bancárias, será produzida em uma nova fábrica que começará a ser instalada em 2009 na cidade de São Carlos, no interior paulista. A presença na região do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP que conta com a participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi decisiva na escolha da cidade para sediar a fábrica de semicondutores ferroelétricos. Parceiro na empreitada, o centro de materiais cerâmicos já formou 25 doutores e 17 mestres em materiais ferroelétricos desde 2000, quando esse Cepid foi criado. Muitos desses profissionais ou formandos poderão trabalhar na fábrica brasileira. Os materiais ferroelétricos permitem a construção de memórias eletrônicas que não necessitam de nenhum tipo de energia para funcionar.

Desenvolvimento de nova tecnologia

Inicialmente, a memória de acesso aleatória ferroelétrica, ou FeRAM,  também conhecida como memória não-volátil, será produzida com tecnologia desenvolvida pela empresa norte-americana Symetrix, criada há 18 anos nos Estados Unidos pelo brasileiro Carlos Paz de Araújo, professor de engenharia elétrica na Universida-de do Colorado. O centro também terá participação ativa no desenvolvimento de novas memórias ferroelétricas e de novos materiais. “Vamos direcionar a pesquisa em novas memórias ferroelétricas porque sabemos que ela pode ser aplicada, mas não vamos deixar de lado a pesquisa básica”, diz o físico José Arana Varela, professor do Instituto de Química de Araraquara e pró-reitor de Pesquisa da Unesp, além de ser o responsável pela divisão de inovação do Cepid.