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Gazeta Mercantil

MEMÓRIA - Digitalização de documentos da Assembléia acaba em dezembro

Publicado em 04 outubro 2002

Por Camila Teich - de São Paulo
A Assembléia Legislativa de São Paulo está resgatando a história política do estado. Até dezembro, 330 mil documentos do acervo da instituição - com datas que vão de 1819 a 1937 - serão digitalizados na segunda etapa de um projeto iniciado há três anos. A primeira fase foi concluída em 2001 e envolveu 90 mil fotos, 10 mil laudas com resumos de discursos de parlamentares e 120 mil documentos da República Velha. Segundo o diretor técnico da divisão de acervo da Assembléia, Dainis Karepovs, todo o programa receberá investimentos de R$ 380 mil, custeados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Para informatizar o acervo, a Assembléia Legislativa contratou a Digimapas, empresa especializada em conversão de dados e recuperação de informações por meios digitais. De acordo com o gerente comercial da companhia, Osmar Olivieri, o processo de digitalização foi complexo porque envolvia material de difícil manuseio. "Parte dos documentos estava se degradando", comenta Olivieri, ao acrescentar que os papéis estavam guardados em locais sem condições de conservação. Ele revela ainda que a segunda etapa do projeto foi mais delicada. "Havia mais documentos e o material era mais antigo; localizamos jornais do início do século 19 que estavam praticamente desmanchando." Segundo Karepovs, o arquivo do período imperial (1822-1889) estava desorganizado e foi necessário contratar uma empresa para ordená-los. "Além disso, havia a complexidade da documentação; 90% do material era manuscrito", diz o diretor. Para transformar documentos em arquivos digitais, a Digimapas retirou o material da Assembléia. Depois da digitalização, a empresa instalou um programa que permite o gerenciamento dos documentos e sua consulta, visualização e impressão. Karepovs afirma que o processo democratizará o acesso aos dados que contam parte da história de São Paulo. "O sistema agilizará a consulta e irá preservar fisicamente a documentação." O diretor estima que cerca de 70 pessoas visitem o acervo mensalmente. "Com o material é possível verificar como foi o crescimento de São Paulo; observar como o estado saiu de uma posição secundária e transformou-se na região mais desenvolvida do País", diz. "Temos, por exemplo, projetos de leis para concessão de estradas de ferro do século passado até contratos de trabalhos de imigrantes." Por enquanto, os documentos digitais estão disponíveis apenas no acervo da Assembléia mas, segundo Karepovs, a instituição estuda incluí-los na internet. A entidade pretende também realizar uma terceira fase do projeto para a digitalização dos anais do período imperial, que somam aproximadamente 400 mil páginas. O material produzido a partir de 1937 não entrará no processo de digitalização. "São documentos que estão em uso e não fazem parte do acervo", conclui.